quarta-feira, 22 de abril de 2015

97% Owned - Economic Truth documentary - Queuepolitely cut - Legendado


SNOWDEN, OBAMA E O IV REICH AMERICANO



Miguel Urbano Rodrigues
O documentário de Laura Poitras "Citizenfour", premiado com um Óscar, não tem tido a atenção que merece por parte do público no nosso país. O seu título é o nome de código de Edward Snowden, o ex agente da CIA que revelou ao mundo a existência e o funcionamento do monstruoso sistema de espionagem criado pela NSA, cujos tentáculos cobrem o mundo. Peça fundamental da estratégia imperialista de dominação planetária, o desmascaramento desta ameaça é uma tarefa de defesa da humanidade.

Contei as pessoas à saída da sala do pequeno cinema do Porto que acabara de exibir o documentário Citizenfour: eram apenas 19.

Porquê tão pouca gente?

Eu conhecia a resposta: 

1. A esmagadora maioria dos portugueses (o panorama não difere muito noutros países) desconhece a perigosa ameaça que a estratégia de poder dos EUA representa para a humanidade. 

2. É extremamente difícil conseguir que centenas de milhões de pessoas, manipuladas pela gigantesca máquina de desinformação mediática controlada por Washington, tomem consciência de que os valores da chamada "democracia americana" são hoje uma arma de propaganda e que nos EUA, neste início do seculo XXI, a Casa Branca, o Pentágono e a Agencia Nacional de Segurança – NSA com a cumplicidade do Congresso, montaram uma engrenagem diabólica, na prática incontrolável, para dominar o planeta, através, da espionagem.

Citizenfour é o nome de código de Edward Snowden no Documentário em que a cineasta e jornalista norte-americana Laura Poitras resume em linguagem fílmica a estória do jovem informático, ex agente da CIA, que revelou ao mundo a existência e o funcionamento do monstruoso sistema de espionagem criado pela NSA, cujos tentáculos cobriam o mundo.

O importante no filme não é a sua qualidade, mas o desmascaramento da ameaça à humanidade.

Snowden estava em Hong Kong quando, após cautelosos contactos por mails encriptados, aceitou encontrar-se naquela cidade com Laura Poitras e o jornalista americano Glenn Greenwald, colunista do diário britânico The Guardian. Sabendo que estava a ser vigiado, entregou a ambos os documentos secretos em seu poder. Quando Greenwald, com a sua anuência, começou a publicá-los em The Guardian, ficou transparente que o chamado sistema de vigilância da NSA, elogiado pelo presidente Obama, é, na realidade, uma poderosa máquina de espionagem de dimensão planetária. O escândalo adquiriu proporções mundiais quando o Washington Post e o semanário alemão Der Spiegel e a BBC decidiram também divulgar provas indesmentíveis das atividades ilegais da NSA, criminosas segundo o direito internacional. Até a chanceler Angela Merkel, entre muitos outros aliados dos EUA (incluindo Dilma Roussef e o próprio Cameron) era alvo da espionagem da NSA.

Obama sentiu a necessidade de intervir e pediu desculpas a Merkel, e ela, tão hipócrita como o americano, simulou acreditar na garantia de que não voltaria a ser espiada pela NSA.

O filme ilumina bem o cinismo do presidente dos EUA, mais perigoso para a humanidade do que Reagan e os Bush. Não somente atacou agressivamente Snowden, afirmando que não era "um patriota", como deu luz verde à perseguição judicial iniciada ao ex funcionário da NSA. Para o incriminar acharam que o Patriot Act era insuficiente e foram desenterrar uma lei da época da Primeira Guerra Mundial, que visava desertores e terroristas. No Senado e na Camara dos Representantes chegaram a exigir-lhe a cabeça, e nos grandes media tornaram-se rotineiros os apelos para que fosse assassinado.

Em Hong Kong, Snowden apercebeu-se de que se permanecesse ali as suas probabilidades de sobreviver eram mínimas. Retiraram-lhe inclusive o passaporte americano.

O documentário de Laura Poitras descreve os esforços de Greenwald e outros amigos para o tirarem da China enquanto pedia asilo a muitos países. A ajuda de Sónia Bridi, uma jornalista do Wikileaks, de Julian Assange, foi decisiva para o meterem num avião da Aeroflot que o levou a Moscovo. O desfecho da estória é bem conhecido. Snowden permaneceu na área internacional do aeroporto internacional daquela cidade, até que finalmente o governo de Putin, resistindo às pressões de Washington, lhe concedeu asilo na Rússia. Ali se encontra ainda.

O escasso número de espectadores que o filme de Laura Potras, premiado com um Óscar, tem atraído em Portugal é esclarecedor da dificuldade, mencionada no início deste artigo, da desmontagem da máquina de desinformação do imperialismo. O sistema dos Cinco Olhos que transforma a mentira em verdade – no qual o Reino Unido, o Canadá, a Austrália e a Nova Zelândia participam como cúmplices – tem aliás colaborado ativamente com a NSA.

Mas o diabolismo da espionagem mundial da Agencia de Segurança norte americana funciona também como incentivo à luta contra a engrenagem do sistema de poder que gradualmente está transformando os EUA num Estado totalitário com matizes neofascistas.

Não instalou campos de concentração, não construiu camaras de gás e fornos crematórios mas, sob uma enganadora fachada democrática, faz do seu sistema de espionagem o instrumento de um poder hegemónico, desencadeia guerras genocidas, saqueia os recursos naturais de dezenas de povos e semeia o terrorismo pelo mundo. Neste início do seculo XXI os seus atos e ideologia justificam o qualificativo de IV Reich.

Via http://www.odiario.info/?p=3601

BRICS CABLE - A INTERNET COMUNISTA QUE VAI NOS ISOLAR DO MUNDO LIVRE


quarta-feira, 18 de março de 2015

Paciente terminal com leucemia receberá injeção de nanorobôs feitos com DNA

 

nanorobos
Cada nanorobô tem capacidade computacional de 8-bit; um trilhão deles são injetados no organismo
Divulgação
Um paciente terminal com leucemia receberá uma injeção de nanorobôs construídos com material genético e desenvolvidos para destruir células cancerígenas.
O procedimento está sendo desenvolvido por uma equipe de médicos da universidade Bar-Ilan, em Israel, e já foi testado com sucesso em animais.
O paciente recebeu de seus médicos uma estimativa de até seis meses de sobrevivência, considerando o estágio de sua leucemia.
Baseados nos testes com cobaias, os pesquisadores esperam que o câncer seja removido em um mês pelos robôs, que são capazes de identificar e matar células cancerígenas sem afetar as células saudáveis.
Até agora, durante os testes realizados, os robôs conseguiram reconhecer doze tipos de câncer, incluindo leucemia e tumores sólidos.
No procedimento, cerca de um trilhão de robôs de 50 nanômetros, construídos com DNA molecular, são injetados no paciente. Cada um deles tem capacidade computacional de um computador de 8-bit, equivalentes a um Nintendinho.
Os nanorobôs podem caçar e combater células cancerígenas, além de realizarem operações computacionais dentro de um organismo vivo, controlados pelo controle remoto de um Xbox.
"Essa é a primeira vez que uma terapia biológica foi capaz de reproduzir como um processador de computador funciona", afirma Ido Bachelet, pesquisador-chefe do Instituto de Nanotecnologia e Materiais Avançados da Universidade Bar Ilan.
Dentro do corpo do paciente, o desafio dos nanorobôs será sobreviver à resposta do sistema imunológico gerada pela entrada de corpos estranhos no organismo.
Caso o tratamento funcione, os pesquisadores israelenses devem estender o procedimento para outros tipos de doença. A ideia é fazer com que remédios e drogas sejam transportados pelo nanorobô diretamente para a célula afetada, aumentando a eficácia de um procedimento médico.

Via http://info.abril.com.br/noticias/ciencia/2015/03/paciente-terminal-com-leucemia-recebera-injecao-de-nanorobos-feitos-com-dna.shtml

Eu vi a Skynet nascer. E foi no SXSW. Oi?


Inteligência Artificial



Por Ana Nubié, Chief Strategy Officer na Moma Propaganda

Definição da Skynet, encontrada na Wikipédia (para aqueles mais novos e que nunca assistiram o filme “O Exterminador do Futuro”):

“Na série de filmes O Exterminador do Futuro, a Skynet é uma inteligência artificial altamente avançada criada no fim do século XX. Ela opera principalmente por meio de robótica avançada e sistemas de computador. Assim que se tornou autoconsciente de si mesma, ela viu a humanidade como uma ameaça à sua existência e decidiu acionar o holocausto nuclear conhecido como "Dia do Julgamento" e enviar um exército de Exterminadores contra a humanidade”.

No dia de hoje assisti à palestra da Martine Rothblatt sobre Inteligência Artificial, Imortalidade e o Futuro dos “Eus”. Os “Eus” são nossas personalidades e para onde elas irão quando morremos.

Rothblatt tem um projeto de desenvolvimento de inteligência artificial, com o objetivo de permitir que as pessoas criem um espelho da sua própria consciência em inteligências cibernéticas, que poderiam sobreviver às suas mortes e teriam liberdade intelectual para discordar e, até mesmo, divorciar-se de seus criadores.

Aparentemente todas as respostas para os limites éticos e filosóficos do projeto foram estudadas, mas ao ouvir a palestra não só me lembrei da Skynet como também de outra clássica cena de cinema, de Blade Runner.

Quando um dos clones, em fúria, encontra-se finalmente com seu criador e o questiona sobre o sentido da vida que ele lhe deu, tal qual cada um de nós conversa com o deus da sua crença. O homem havia se colocado no lugar da divindade e perdido o controle da criatura.

Escrevo tudo isso para dizer que a tecnologia costumeiramente me inspira. Sou uma fã de primeira hora de todos os avanços da ciência.

Mas hoje, ouvindo as afirmações daquela empreendedora, percebi pela primeira vez os riscos que o nosso crescente poder na área da ciência da computação pode trazer.

Inteligência, conhecimento, consciência são elementos fundamentais na construção das relações de valor e poder de nossa sociedade.

Hoje já há redações de jornais onde as notícias standard (previsão do tempo, cotações de bolsa, etc) são geradas automaticamente por computadores.

Desejo que a produção de conhecimento e a consciência não sejam terceirizados para os computadores. Nem tudo que pode ser feito é o melhor a ser feito.

Assim hoje vivi os primórdios daquela que, tenho certeza, será uma das mais calorosas e profundas discussões da nossa era: não mais a privacidade dos nossos dados, mas a privacidade da nossa consciência.

* Este artigo foi publicado originalmente no site Meio & Mensagem.
   Via olha digital.

segunda-feira, 16 de março de 2015

BANALIZAÇÃO DO MAL [Versão pra garotas e Emos]

ALEMANHA
Após ter alcançado o poder criticando os comunistas e garantindo a proteção da Europa contra a "invasão vermelha", Hitler fez um inesperado acordo de não-agressão com a URSS que previa até a troca de matérias-primas e alimentos. Isso pegou o mundo de surpresa, e permitiu que a Alemanha invadisse os outros países da Europa sem se preocupar com o flanco leste. Todos sabiam que era um acordo de interesses, mas como a Alemanha estava em guerra contra a Inglaterra em 1941, ninguém (ninguém mesmo, nem o paranóico do Stalin) pensou que Hitler atacaria a URSS, fazendo uma guerra de duas frentes. E foi assim que em 22 de junho de 1941, os exércitos do Eixo lançam-se à conquista do território soviético com a chamada Operação Barbarossa.
Às 5h30, duas horas depois que os canhões alemães abriram fogo em toda a fronteira, as novas fanfarras soaram nas rádios alemãs. Goebbels leu no ar a proclamação de Hitler. Ela equivalia a uma longa justificação pseudo-histórica para a ação preventiva alemã. Os dirigentes judaico-bolcheviques de Moscou haviam procurado durante duas décadas destruir não somente a Alemanha, mas toda a Europa. Hitler fora forçado, alegava ele, pela politica de cerco britânica, a tomar a medida amarga de entrar no pacto de 1939. Mas, desde então, a ameaça soviética aumentara. No momento, havia 160 divisões russas concentradas nas fronteiras alemãs. "Portanto, chegou a hora de contra-atacar essa conspiração dos pregadores judaico-anglo-saxões da guerra e os igualmente judeus senhores do quartel-general bolchevique em Moscou". Havia muito tempo que ele se convencera do que a propaganda alemã alardeava: Era ele que queria a paz.
Churchill, apoiado pela "plutocracia judaica", era quem pregava a guerra, o obstáculo ao triunfo. Enquanto estava em Bayreuth, encontrou seu amigo de juventude, August Kubizek, pela última vez. Disse a ele, crédulo como sempre, que a guerra havia atrapalhado todos os seus grandes planos para a reconstrução da Alemanha. "Não me tornei chanceler do Grande Reich Alemão para fazer guerra." Kubizek acreditou nele. É provável que o próprio Hitler acreditasse nele mesmo também.
(Trechos do livro Hitler, biografia de Ian Kershaw)
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RÚSSIA
O crítico ao Kremlin Boris Nemtsov foi morto a tiros enquanto andava com sua namorada na noite de sexta-feira, nos arredores da Praça Vermelha. Ele se tornou a figura da oposição mais proeminente a ser morta na Rússia durante os 15 anos do governo de Putin. O Kremlin negou qualquer envolvimento, dizendo que o assassinato foi uma "provocação" arquitetada para atingir Putin e dar força aos opositores.

Seria uma tese interessante, se Nemtsov não fosse seguido, noite e dia, pelos agentes do FSB – o novo nome do KGB –, e o crime não fosse cometido no pequeno perímetro urbano mais controlado e vigiado do país, o cartão-postal da Rússia: a Praça Vermelha.

Não foi o primeiro e nem será o último crítico ao regime assassinado. Saibam mais no Programa "Sem fronteiras" sobre o assassinato do opositor político de Putin. A Rússia aleadeia que está sendo oprimida pelo Imperialismo Norte-Americano e se apega ao nacionalismo ao criar a idéia de um "Mundo Russo" que precisa ser protegido, e que justificou a rebelião dos cidadãos de origem russa na Ucrânia e a invasão da Criméia.

Sobre a Criméia, a anexação foi um episódio interessantíssimo:

O Parlamento de Crimeia, região ucraniana pró-Rússia, foi ocupado por 50 homens armados e com máscaras que se apresentaram como "defensores dos cidadãos russos" da localidade. Após a invasão, a assembleia desta península do mar Negro votou a favor de um referendo sobre a reunificação da Crimeia com a Rússia. O primeiro-ministro abdicou (ou foi convencido a abdicar) do cargo, e quem assumiu foi Serguéi Axiónov, o líder da Unidade Russa (um dos pequenos partidos que defendem os interesses dos russos locais). Serguei pediu ajuda a Putin para garantir "a paz e a tranquilidade" no território da península. A resposta do Kremlin não demorou, e um responsável pela administração presidencial russa declarou que a "Rússia não vai ignorar este pedido" de ajuda da região, povoada maioritariamente por russos e inclinada a Moscou. Logo depois 6.000 soldados russos marchavam por dentro do território que, tecnicamente, pertencia à Ucrânia.

Moscou declarou a região oficialmente anexada dois dias após a realização do referendo, com 98% de votos a favor da reunificação. A anexação, porém, nunca foi reconhecida nem por Kiev nem pelos países ocidentais.

"Realmente usamos nossas Forças Armadas, mas só para dar às pessoas que vivem neste território a possibilidade de expressar sua opinião sobre seu futuro", disse Putin em agosto de 2014.


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VENEZUELA
Altos índices de violência, falta de gêneros básicos, inflação galopante, grave crise econômica e política assolam o país, mesmo ele sentado em cima de grandes reservas de Petróleo, mesmo com mais de 10 anos de poderes ilimitados ao herói nacional Hugo Chávez, mesmo com apoio (e financiamento) do Brasil e com os benefícios do MercoSul. Segundo o presidente, a culpa é toda do Imperialismo Norte-Americano, embora o maior comprador do petróleo venezuelano sejam os EUA.

Recentemente o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, assinou uma ordem executiva onde instaura sanções contra sete integrantes do governo do presidente Nicolás Maduro, entre eles González López, diretor do Sebin (Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional). Segundo os EUA, esses sete membros do governo estão envolvidos em atos de "repressão e uso da violência em resposta a protestos contra o governo" e "pela erosão das garantias dos direitos humanos, pela perseguição de opositores políticos e pela restrição à liberdade de imprensa".

A resposta de Maduro foi pedir ao Congresso poderes pra governar por decreto, através da "Lei habilitante". "Uma lei anti-imperialista para preparar-nos em todos os cenários e em todos ganhar e em todos triunfar com a paz". "Obama decidiu se meter em um beco sem saída, um beco do fracasso. O povo da Venezuela é um povo de paz e o senhor não tem direito a agredi­lo nem a declarar que o povo venezuelano é uma ameaça para os Estados Unidos".

Ainda como reação à medida dos EUA, Maduro nomeou como ministro do Interior Gustavo González López, ex­diretor do Serviço Bolivariano de Inteligência (Sebin) e um dos alvos das sanções americanas. "Decidi nomear González López como ministro do Interior, Justiça e Paz para que vá, com sua condecoração do império americano, garantir a paz do país, a segurança cidadã e nacional. É uma honra estar na lista de sanções dos EUA".

Marino Alvarado, assessor do Provea (Programa Venezuelano em Educação e Direitos Humanos) alerta para a "construção de uma estrutura jurídica que é usada para oprimir todo aquele que pensa diferente". Esta estrutura está formada, entre outras iniciativas, pela reforma da Lei de Segurança, que criou os chamados "Comandos Populares para a Paz". Sua missão é "enfrentar o inimigo externo e interno".

— O governo obriga pessoas a fazer trabalho de polícia. Na prática, devem dedurar qualquer pessoa que considerem inimigo da revolução — diz Alvarado.

Na sexta-feira, a morte de Rodolfo González, de 64 anos, que estava preso sob acusação de ter promovido protestos contra Maduro em fevereiro de 2014, reavivou o debate sobre os polêmicos comandos para a paz do presidente. Segundo jornalistas locais, González, que era pai de uma professora da Universidade Católica e não pertencia a partido algum, foi denunciado por um membro do comando, por telefone, e estava detido há quase um ano, sem ter sido julgado.

— Estamos vivendo numa democracia militarizada e autoritária. Qualquer dissidência é vista como traição à pátria — enfatizou o assessor.


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Há um outros países que poderiam estar na lista acima, com exemplos de incoerência e desprezo pelas leis ou noções de "certo" e "errado" tão didáticos quantos esses, mas vou deixar pra vocês mesmos imaginarem quais são. O importante aqui é observar a mentalidade e como ela consegue o apoio de nações inteiras.

Em 1961 a filósofa alemã naturalizada americana Hannah Arendt acompanhou — enviada pela revista “The New Yorker” — o julgamento do nazista Adolf Eichmann em Israel, acusado de genocídio e crimes contra a Humanidade durante a guerra. Dois anos depois ela lançou um livro baseado em suas observações, "Eichmann em Jerusalém". Nele, ela descreve não somente o desenrolar das sessões, mas faz uma análise do "indivíduo Eichmann". Segundo ela, Adolf Eichmann não possuía um histórico ou traços antissemitas e não apresentava características de um caráter distorcido ou doentio. Ele agiu segundo o que acreditava ser o seu dever, cumprindo ordens superiores e movido pelo desejo de ascender em sua carreira profissional, na mais perfeita lógica burocrática. Cumpria ordens sem questioná-las, com o maior zelo e eficiência, sem refletir sobre o Bem ou o Mal que pudessem causar.

É aí que surge a expressão Banalidade do mal. Segundo Arendt, o mal, quando atinge grupos sociais, é político e ocorre onde encontra espaço institucional. A banalidade do mal se instala no vácuo do pensamento, trivializando a violência.

O povo alemão não percebia o mal como mal porque foram programados a não questionar, a não acreditar no que diziam em outros países (graças a uma campanha de vitimização e da teoria de "todos contra nós") e a ver como inimigo qualquer um que pensasse o contrário. E mais: a finalidade do mal era sempre o bem.

Uma incoerência, sem dúvida, mas se você ler o livro 1984, de George Orwell, vai perceber que a contradição é a chave para a reprogramação mental. Podemos ver a mesma coisa na defesa da Russia de Putin, na Venezuela de Maduro/Chavez e nos outros países onde impera o "duplipensar".
Já passou o tempo de acordar pra esse tipo de manipulação.

Texto original em www.saindodamatrix.com.br

quarta-feira, 11 de março de 2015

McGyver francês: este cara transformou seu Citroën 2CV quebrado em uma moto para fugir do deserto

McGyver francês: este cara transformou seu Citroën 2CV quebrado em uma moto para fugir do deserto
A maioria dos entusiastas já entende, naturalmente, um pouco mais de mecânica do que as pessoas que não compartilham nossa paixão por carros. Alguns vão mais longe e decidem colocar a mão na graxa – seja aprendendo sozinhos, na prática; fazendo cursos de mecânica e até perseguindo carreiras que os ajudem a fazer carros.
Agora, dificilmente alguém fará algo mais impressionante, ao menos neste sentido, do que o francês Emile Leray fez em 1993. Ele estava no meio de uma aventura no deserto de Marrocos quando o Citroën 2CV que dirigia quebrou.
Sem dúvida era uma situação desesperadora, mas Leray conseguiu sair dela sozinho, com as próprias mãos. Como? Ele simplesmente usou as peças do carro para construir uma moto e dar o fora dali. E ele precisava fazê-lo.
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Leray não era exatamente novato em viagens no deserto – na verdade, ele já havia explorado a região norte do Saara algumas vezes. Ele havia saído da cidade de Tan-Tan, em Marrocos, e já havia dirigido por mais de 35 km com seu Citroën 2CV. Ele podia ter escolhido um belo jipe com tração 4×4 e reduzida, mas  decidiu-se pelo 2CV porque ele é, em suas próprias palavras, “durão”.
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“Na África eles chamam o 2CV de ‘Camelo de Aço’ porque ele é capaz de ir a qualquer lugar, desde que você seja gentil com ele. Você não pode forçá-lo demais”, Emile contou ao Daily Mailem 2012, quando sua história começou a ficar conhecida. “Obviamente eu o forcei demais, porque eu consegui quebrá-lo”.
Ele se refere ao que aconteceu no meio de sua viagem em 1993. No meio do caminho, ele foi parado por um bloqueio militar local que o informou de que ele não poderia seguir viagem, pois aquela era uma zona de risco devido aos crescentes conflitos armados entre o Marrocos e países do oeste do Saara. Ele deveria dar meia volta e retornar a Tan-Tan. Mais do que isto: os militares também o pediram para dar carona a um passageiro.
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Emile recusou, dizendo que a apólice de seguro do seu carro não permitia que ele levasse passageiros. É que ele tinha um plano: dar a volta no bloqueio e seguir viagem, como se nada tivesse acontecido.
Assim, para não perder muito tempo (e também preocupado com a possibilidade de ser seguido), Emile voltou-se para o outro lado em alta velocidade pelo solo intocado do deserto. Foi uma decisão ruim: a dezenas de quilômetros de qualquer civilização, ele perdeu o controle do 2CV e bateu em uma pedra. Resultado: um braço da suspensão dianteira e uma parte do chassi quebrados – o suficiente para tirar o Citroën de circulação.
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Como dissemos, seria uma situação verdadeiramente desesperadora… se Emile não fosse um criativo e habilidoso mecânico e não tivesse decidido que, com o que restou de bom no 2CV, construiria um veículo para, ao menos, chegar à vila mais próxima, que ficava a cerca de 35 km dali.
Você pode até imaginar que ele poderia ter deixado o carro ali e voltado em algumas horas. De fato, ele poderia se não estivesse preso em um ambiente hostil, seco e perigoso. O mais prudente seria usar seus suprimentos de água e comida para se manter por alguns dias, até conseguir construir um veículo utilizável. Uma moto seria o ideal.
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A primeira coisa que ele fez foi remover a carroceria do chassi e usá-la como abrigo, onde dormiria e manteria a água e a comida. Então, com algumas ferramentas simples – uma serra de arco, um martelo e… basicamente isso, ele começou a trabalhar.
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Ele serrou o chassi do carro para criar um quadro para a moto. Componentes da suspensão foram usados para fazer o garfo dianteiro e o motor ficava no meio do chassi, bem em frente do piloto. Para mover a roda traseira, Emile criou um engenhoso esquema ligando um dos tambores de freio ao motor. Ele girava para trás e, em contato com o pneu traseiro, o fazia girar para a frente. O selim foi feito usando o para-choque traseiro e o revestimento dos bancos, e Emile até deixou espaço para um pouco de bagagem entre o motor e a roda dianteira.
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O resultado de doze dias de trabalho foi uma moto que lembrava os veículos usados no pelos habitantes do deserto australiano pós-apocalíptico de Mad Max. Não era confortável, não tinha freios e também não era muito estável – Emile caiu algumas vezes e, para piorar, a moto pesava quase 200 kg. Mas ainda era melhor que caminhar e, assim que conseguiu deixar a moto pronta para rodar, ele juntou o que havia sobrado de seus suprimentos e partiu.
A viagem de volta à civilização foi curta: logo no primeiro dia, ele foi parado pela polícia marroquina por dirigir um veículo tão estranho.
Ainda que tivesse mantido a placa original na traseira, os documentos diziam que ela pertencia a um Citroën 2CV, não a uma moto feita com partes de um 2CV. Assim, a polícia até lhe deu uma carona para o vilarejo mais próximo, mas não sem antes aplicar-lhe uma bela multa por conduzir um veículo sem registro.
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Apesar do prejuízo no bolso e do fato de não ter conseguido usar a moto como pretendia, Emile tem muito orgulho do que fez. Hoje, aos 64 anos, ele vive no noroeste da França e mantém a moto consigo até hoje em sua propriedade.
Via http://www.flatout.com.br/mcgyver-frances-este-cara-transformou-seu-citroen-2cv-quebrado-em-uma-moto-para-fugir-do-deserto/

quarta-feira, 4 de março de 2015

Em "O Destino de Júpiter" os Wachowski esquecem a pílula vermelha do Gnosticismo Pop


Com o filme “O Destino de Júpiter”, mais uma vez os irmãos Wachowski criam uma fábula gnóstica pop. E dessa vez sincronizando um evento astronômico (a ascensão do planeta Júpiter nos céus em fevereiro) com uma releitura do mito gnóstico da Criação, Queda e Ascensão do “Apócrifo de João” escrito em 150 DC. Tal como na “Trilogia Matrix”, a humanidade é prisioneira dos Demiurgos para ter sua energia drenada. Lá em Matrix presos em incubadoras.  Aqui em “O Destino de Júpiter” para serem semeados e colhidos por uma casta real alienígena em uma espécie de gigantesco latifúndio cósmico. Porém, dessa vez os Wachowski fizeram grandes concessões à Hollywood: a pílula vermelha da gnose que despertava para a Verdade da Matrix desapareceu para ser substituída pelo obediente retorno do espectador à ordem.

Originalmente O Destino de Júpiter (Jupiter Ascending, 2015) tinha lançamento previsto para junho do ano passado. Foi adiado e, “coincidentemente”, só entrou em cartaz em fevereiro desse ano, no momento em que o planeta Júpiter ascendeu à posição oposta ao Sol – Júpiter sobe no céu no momento em que o Sol se põe, brilha mais alto à meia-noite e se põe em torno do nascer do Sol. Júpiter nesse momento está mais próximo da Terra, aparecendo maior e mais brilhante.

Em se tratando dos irmãos Wachowski e pelo emaranhado de simbologias gnósticas e esotéricas que o filme explora, tudo NÃO é mera coincidência. Andy e Lana Wachowski sabem o que estão fazendo: com essa sincronia entre os eventos cinematográfico e astronômico, reforçam ainda mais a mitologia por trás do verdadeiro delírio visual de um filme que parece que fundiu Matrix, Star Wars e Flash Gordon dentro de uma gigantesca space opera.

O Destino de Júpiter confirma que os Wachowski são os pais do Gnosticismo Pop hollywoodiano, onde a trilogia Matrix foi a obra seminal: conciliar camadas de simbolismos com muitas cenas de perseguição, lutas e uma massa de efeitos em CGI.


E de certa forma todas as narrativas mitológicas gnósticas sobre emanações divinas de aeons, batalhas cósmicas entre o Bem e o Mal, deuses demiurgos enlouquecidos nada simpáticos com a humanidade e histórias de entidades divinas decaídas que buscam a redenção tem um forte appeal visual e cinemático – talvez essa seja uma das razões para Hollywood flertar com o Gnosticismo: cada manuscrito apócrifo da chamada Biblioteca de Nag Hammadi renderia dezenas de roteiros e adaptações para o cinema.

Como veremos, a diferença de O Destino de Júpiter para a trilogia Matrixcomeça com a mudança da abordagem da mitologia Gnóstica: enquanto lá na trilogia tínhamos o TecnoGnosticismo (o homem prisioneiro em uma simulação tecnológica), na produção atual o viés é AstroGnóstico – a humanidade como resultante de uma experiência de alienígenas superiores ou o herói como alguém que está na Terra mas não pertence a este planeta.

Tanto a trilogia Matrix quanto O Destino de Júpiter abordam a essência do drama cósmico gnóstico: a humanidade é aprisionada em um cosmos hostil para servir de fonte de energia para os demiurgos manterem um universo defeituoso em funcionamento – no caso do filme atual, servir de matéria-prima para a produção de um soro que garante a imortalidade de uma casta real.

Mas a abordagem resulta bem diferente: enquanto na trilogia os heróis Neo e Morpheus querem liderar uma revolução para fazer a humanidade despertar (a “gnose”), em O Destino de Júpiter a heroína apenas quer salvar sua família e voltar para casa. A salvação do planeta é um efeito colateral.

O Filme


Os terráqueos não sabem, mas o seu planeta e inúmeros outros na galáxia foram semeados por famílias de uma casta real alienígena com a finalidade de serem colhidos assim que chegarem a um “estado darwiniano de perfeição”, maduros para a colheita – são sacrificados e sua energia coletiva drenada para a fabricação de um soro da juventude que lhes permite viver para sempre. Quando a matriarca da Casa de Abrasax, a mais poderosa das dinastias aliens, morre seus três filhos (Balem, Kalique e Titus) entram em conflito pela herança de uma gigantesca unidade de produção em Júpiter.

Enquanto isso, alheia a tudo, Júpiter Jones (Mila Kunis) é uma humilde empregada que ganha a vida limpando banheiros de hotéis em Chicago. Filha de um astrônomo russo, assassinado em seu país, veio para os EUA com a família de sua mãe. Mas ela também não sabe que seu mapa genético é idêntico à falecida matriarca da Casa de Abrasax. Poderíamos chamar isso de “reencarnação”, mas o membros da realeza alien chamam de “recorrência”, uma improbabilidade estatística que pode colocar em risco a disputa da herança entre os membros da dinastia Abrasax: tecnicamente, Júpiter Jones poderia reivindicar o controle das vastas extensões do verdadeiro latifúndio galáctico de planetas semeados. Para eles, os genes não têm uma mera função biológica, possuem um grande significado espiritual.

O que faz a galáxia inteira colocar uma recompensa pela sua cabeça. Mas Júpiter será protegida por um guerreiro interplanetário geneticamente modificado chamado Caine (Channing Tatum) que  revelará o destino reservado a ela pela sua assinatura genética. Tito enviou o Caine à Terra para resgatar Júpiter e salvá-la de outros assassinos mercenários, mas ele também tem outros planos sinistros para se desfazer dos dois e vencer a disputa pela herança e o controle da Casa de Abrasax.

O mito da Criação, Queda e Ascensão


Se em Matrix os irmão Wachowski abordaram a ontologia gnóstica (a realidade como uma ilusão fabricada da qual devemos despertar), em O Destino de Júpiter vão explorar o mito da Criação, Queda e Salvação que nos aspectos principais se assemelham ao clássico Apócrifo de João da Biblioteca de Nag Hammadi, escrito em torno de 150 DC.

Lá encontramos a dramática descrição da criação desse cosmos a partir da emanação do aeon de Sophia que decaiu da Plenitude (o Pleroma) para as esferas materiais, produzindo uma espécie de forma híbrida de consciência, por assim dizer um “filho bastardo”: o Demiurgo – no filme, a Casa de Abrasax e seus membros corruptos. Divindade enlouquecida, que acredita ser a única divindade, cria o homem para torna-lo prisioneiro da sua criação imperfeita (porque tende para a morte e a entropia).

Nesse universo imperfeito estão prisioneiros Sophia e a humanidade. Sophia consegue ascender de volta ao Pleroma e a humanidade mantém-se prisioneira porque o Demiurgo necessita da “fagulha de Luz” presente no homem para por esse cosmos material em funcionamento – ecos desse simbologia nos seres aprisionados em incubadoras em Matrix e a colheita periódica da “energia coletiva” em O Destino de Júpiter.

A morte da Matriarca da Casa de Abrasax e a sua “reencarnação” (recorrência) no nascimento Júpiter Jones na Terra e a sua posterior “ascensão” a Júpiter é a própria narrativa gnóstica da Queda e Ascensão de Sophia, presente desde o Apócrifo de João ao Rito Escocês Antigo da Maçonaria (R...E...A...A...) que descreve essa ascensão em trinta graus simbólicos e mais três filosóficos de elevação espiritual.

Spoilers à frente


Mas curiosamente param aí as analogias. Como apontamos acima, se em Matrix os Wachowski deram uma atenção especial ao despertar de Neo (a gnose, representada pela escolha que o protagonista deveria fazer entre as pílulas vermelha e azul), em O Destino de Júpiter o significado mítico da ascensão no Apócrifo de João é eliminado.

Acompanhamos todo o filme a protagonista Júpiter ser arrastada de um lugar para o outro pelo salvador Caine. Juntos desmantelam o latifúndio cósmico. E depois de tudo a família de Júpiter é devolvida à Terra em segurança sem a memória do seu desaparecimento enquanto Júpiter continua sendo a rainha. Um final bem diferente de Matrix onde havia uma proposta revolucionária da gnose ser a forma de despertar para a Verdade. Em O Destino de Júpiter todos na Terra continuam alheios à tudo e voltam para suas vidas como se nada tivesse acontecido. 

Embora explicitamente os Wachowski  tenham se inspirado na mitologia de Sophia (como veremos, a palavra “Abrasax” é uma pista disso), ignoraram o principal significado: Sophia é a história de um exílio, mas também de como se rebela contra o Demiurgo ao tentar inspirar a gnose que faz o homem despertar do esquecimento.


Aqui há uma evidente concessão à Hollywood: o filme se rende ao clichê da “quebra-da-ordem-e-retorno-a-ordem”: a tensão entre a fantasia da liberdade e o restabelecimento da ordem. Sonhos, loucuras e desejos proibidos são desenvolvidos até certo ponto para não incomodar a adaptação do espectador à realidade após o encerramento do filme – sobre esse conceito clique aqui.

A Casa de Abrasax


“Abrasax” é uma evidente forma alterada do termo “Abraxas” – termo usado pelos antigos gnósticos para expressar o nome indizível do Ser Supremo e para simbolizar o seu poder Solar. Nas origens, Abraxas é um nome grego, ABΣPΞ. Soletrado, somaria 365:

A = 1, B = 2, Σ = 200, P = 100, Ξ = 60 = 365

Para o professor gnóstico Basilides (séc. II da Era Cristã), o Demiurgo teria criado “365 céus”. Para ele, o papel da vinda de Cristo à Terra teria sido o de alertar de que a Criação pertencia a um Deus mais alto, Abraxas, e não de um Demiurgo que teria criado esses 365 céus como uma cópia imperfeita da Plenitude.

Ironicamente em O Destino de Júpiter a casta real de Demiurgos se autodenomina como “Casa de Abrasax”, conotando essa tentativa frustrada de divindades corruptas copiarem nesse plano físico a Plenitude do Abraxas. E essa pluralidade de “céus” corresponderia aos planetas semeados pelo cultivo do soro da imortalidade. Será que também semearam 365 planetas?
 
Fonte : http://cinegnose.blogspot.com.br/