terça-feira, 22 de abril de 2014

Filme “Noé”: o show de cabala e gnosticismo que quase ninguém percebeu









Paramount Pictures
Em “Noé”, a nova e épica produção cinematográfica de Darren Aronofsky, Adão e Eva são apresentados como seres luminescentes e descarnados até o momento em que comem do fruto proibido.

Esta versão não é a da Bíblia, é claro. E, em meio a muitas outras licenças imaginativas de Aronofsky, como os monstros gigantes de lava, essa imagem levou muitos críticos de cinema a coçarem a cabeça. Evangélicos conservadores se queixaram de que o filme toma muitas liberdades com o texto do Gênesis. Grupos mais liberais concederam suas indulgências ao diretor: afinal de contas, não devemos esperar que um ateu professo tenha as mesmas ideias de um crente a respeito dos textos sagrados.

O caso é que os dois grupos se perderam na avaliação.

Aronofsky não tomou liberdade alguma com o texto bíblico.

O filme simplesmente não foi baseado na Bíblia.

Aliás, em defesa do diretor, devemos reconhecer que o filme nem sequer foi anunciado como se fosse. “Noé” não é uma adaptação do Gênesis. O filme nunca foi anunciado como “Noé da Bíblia” ou como “A História Bíblica de Noé”. Os escombros da cristandade continuam quentes o suficiente em nossos dias para que, quando alguém diz que vai fazer “Noé”, todo o mundo já presuma que vai ser uma versão da história da Bíblia. Eu tenho certeza de que Aronofsky ficou muito feliz em deixar seu estúdio pressupor isso mesmo, porque se o estúdio soubesse o que ele realmente pretendia, nunca teria permitido que ele fizesse o filme. Aronofsky tinha outras coisas em mente.

Vamos voltar à versão luminescente dos nossos primeiros pais. Eu reconheci o “motif” instantaneamente: é uma visão típica da antiga religião gnóstica. Eis uma descrição, do século II d.C., de algo em que a seita dos chamados ofitas acreditava:

"Adão e Eva, originalmente, possuíam corpos sutis, luminosos e, por assim dizer, espirituais. Mas, quando chegaram aqui, seus corpos se tornaram escuros, pesados e desidiosos" (descrito por Irineu de Lyon, em Contra Heresias, I, 30,9).

Ocorreu-me que uma tradição mística mais estreitamente relacionada com o judaísmo, chamada cabala (que a cantora Madonna popularizou há cerca de uma década), teria certamente conservado uma visão semelhante, já que ela é, essencialmente, uma forma de gnosticismo judaico. Eu sacudi o pó do meu exemplar da obra “The Kabbalah”, escrita no século XIX por Adolphe Franck, e confirmei rapidamente as minhas suspeitas:

"Antes de serem seduzidos pela sutileza da serpente, Adão e Eva não apenas eram isentos da necessidade de um corpo, mas sequer tinham corpo; ou seja, eles não eram da terra".

Franck cita o Zohar, um dos textos sagrados da cabala:

"Quando nosso pai Adão habitava o Jardim do Éden, ele vestia, como todos no céu, uma roupa feita de luz superior. Quando foi expulso do Jardim do Éden e obrigado a submeter-se às necessidades deste mundo, o que aconteceu? Deus, dizem as Escrituras, fez para Adão e para a sua esposa túnicas de pele e os vestiu; antes disso, eles vestiam túnicas de luz, da luz mais alta que havia no Éden...".

Isso é uma coisa obscura, eu sei. Mas a curiosidade tomou conta de mim e eu fui a fundo.

Descobri que o primeiro longa de Darren Aronofsky foi “Pi” (de 1998; não confundir com “Life of Pi”, que não tem nada a ver com isso).

Quer saber qual era o assunto? Tem certeza?

Cabala.

Consegui chamar a sua atenção? Ótimo.

O universo do “Noé” de Aronofsky é completamente gnóstico: um universo com graus "superiores" e "inferiores". O "espiritual" é bom, e muito, muito, muito elevado: é lá onde mora o deus inefável; e o "material" é ruim, e muito, muito, muito inferior: é aqui, onde os nossos espíritos estão presos em carne material. Isto vale não apenas para os filhos e filhas decaídos de Adão e Eva, mas também para os anjos caídos, descritos explicitamente como espíritos aprisionados em "corpos" materiais feitos de lava derretida resfriada.



O filme criou personagens muito bacanas, mas a sua evocação gnóstica também é notória. Os gnósticos os chamam de arcontes, seres divinos ou angelicais de menor escalão, que ajudam "O Criador" na formação do universo visível. E a cabala tem um panteão todo próprio de seres angelicais que sobem e descem pela “escada do ser divino”. E anjos caídos nunca são totalmente caídos nesse tipo de misticismo. Para citar de novo o Zohar, um texto central da cabala: "Todas as coisas de que este mundo é composto, tanto o espírito quanto o corpo, voltarão ao princípio e à raiz de onde vieram". Engraçado: é exatamente o que acontece com os monstros de lava de Aronofsky. Eles se redimem, mudam até de pele e voam de volta para os céus. Aliás, eu notei que, no filme, quando a família de Noé vai caminhando por uma terra desolada, Sem pergunta ao pai: "Esta é uma mina Zohar?". Pois é: o nome do texto sagrado da cabala.

O filme inteiro é, figurativamente, uma mina Zohar.

E, se havia alguma dúvida sobre os “Vigilantes”, Aronofsky dá nome a vários deles: Samyaza, Magog e Ramil. Todos são demônios conhecidos da tradição mística judaica, não só da cabala, mas também do livro de Enoc.

O quê? Demônios redimidos? Adolphe Franck explica a cosmologia da cabala: "Nada é absolutamente mau; nada é maldito para sempre, nem mesmo o arcanjo do mal ou, como ele é chamado às vezes, a fera venenosa. Chegará um tempo em que até ele recuperará o seu nome e a sua natureza angelical".

Sim, isso é estranho, mas, por outro lado, todo mundo no filme parece adorar "O Criador", certo? E isso é um ponto a favor do filme, não é?

Não.

Acontece que, quando os gnósticos falam do "Criador", eles não estão falando de Deus. Aqui, em nosso mundo que colhe os frutos da cristandade, o termo "Criador" geralmente denota o Deus vivo e verdadeiro. Mas, no gnosticismo, o “Criador” do mundo material é um filho bastardo de uma divindade de baixo nível, ignorante, arrogante, ciumento, exclusivista, violento e rasteiro. Ele é o responsável pela criação do mundo "não espiritual", de carne e matéria, e ele mesmo é tão ignorante do mundo espiritual que se imagina como o "único Deus" e exige obediência absoluta. Os gnósticos geralmente o chamam de "Javé". Ou de outros nomes, como Ialdabaoth, por exemplo.

Este “Criador” tenta manter Adão e Eva longe do verdadeiro conhecimento do divino e, quando eles desobedecem, fica furioso e os escorraça do paraíso.

Em outras palavras, caso você tenha se perdido no enredo: a serpente estava certa o tempo todo. Esse "deus", "O Criador", a quem eles adoram, está retendo para si algo que a serpente poderia lhes proporcionar: nada menos que a própria divindade.

O universo do misticismo gnóstico tem uma desconcertante infinidade de variedades. Mas, em geral, elas têm em comum o fato de chamar a serpente de "Sophia" [Sabedoria, em grego] ou "Mãe". A serpente representa o divino verdadeiro. As declarações do "Criador" é que são falsas.

Então a serpente é um personagem importante no filme?

Vamos voltar ao filme. A ação começa quando Lamec está prestes a abençoar seu filho, Noé. Lamec, de modo muito estranho para um patriarca de uma família que segue a Deus, puxa uma relíquia sagrada, a pele da serpente do Jardim do Éden. Ele a enrola no braço e estende a mão para tocar no seu filho; neste momento, um bando de saqueadores interrompe a cerimônia. Lamec é morto e o "vilão" do filme, Tubal-Caim, rouba a pele da serpente. Noé, em resumo, não recebeu o suposto benefício que a pele da serpente lhe concederia.

A pele não se acende magicamente no braço de Tubal-Caim: aparentemente, ele também não fica "iluminado". E é por isso que todo mundo no filme, incluindo o protagonista Noé e o antagonista Tubal-Caim, adora “O Criador”. Todos eles estão enganados.





Vou esclarecer uma coisa: muitos críticos manifestaram perplexidade ao ver que não há nenhum personagem “apreciável” no filme e que, de quebra, todos parecem adorar o mesmo Deus. Tubal-Caim e seu clã são maus e do mal, mas o próprio Noé também se mostra muito mau quando abandona a namorada de Ham e quase mata duas crianças recém-nascidas. Alguns acharam que esta passagem era uma espécie de profunda reflexão sobre o mal que existe em todos nós. Mas aqui vai outro trecho do Zohar, o texto sagrado da cabala:

"Dois seres [Adão e Nachash, a serpente] tiveram relações com Eva [a segunda mulher] e ela concebeu de ambos e deu à luz dois filhos. Cada um seguiu um dos progenitores masculinos e seus espíritos se separaram, um para um lado, o outro para o outro, assim como, similarmente, seus caráteres. No lado de Caim estão os da espécie do mal; no de Abel, uma classe mais misericordiosa, mas não ainda totalmente benéfica: são vinho bom misturado com vinho ruim".

Soa familiar?

De qualquer forma, todo mundo está adorando a “divindade do mal”, que quer destruir a todos (na cabala, diga-se de passagem, acredita-se que muitos mundos já foram criados e destruídos). Tanto Tubal-Caim quanto Noé têm cenas idênticas, olhando para o céu e perguntando: "Por que não falas comigo?". "O Criador" abandonou a todos porque tem a intenção de matar a todos.

Noé tinha tido uma visão da vinda do dilúvio. Ele está se afogando, mas vê animais que flutuam na superfície, na segurança da arca. Não há nenhuma indicação de que Noé se salvará. Ele não sabe como explicar as coisas para a sua família: afinal, ele está afundando enquanto os animais, "os inocentes", se salvam. "O Criador", que proporciona essa visão a Noé, quer que todos os seres humanos morram.

Muitas resenhas críticas estranharam a mudança de Noé, que, na arca, se torna um maníaco homicida querendo matar as duas netas recém-nascidas. Não há nada de estranho nisso. Na opinião do diretor, Noé está adorando um deus falso que também é um maníaco homicida. Quanto mais Noé se torna fiel a esse deus, mais ele se torna homicida. Ele vai se transformando cada vez mais em "imagem do deus", a mesma “imagem do deus” constantemente mencionada (e encarnada) pelo vilão Tubal-Caim.

Mas Noé decepciona "O Criador". Ele não acaba com todas as vidas, do jeito que seu deus quer que ele faça. "Quando eu olhei para aquelas duas meninas, meu coração se encheu somente de amor", diz ele. Agora Noé tem algo que "O Criador" não tem: amor. E misericórdia. Mas de onde ele tirou isso? E por que agora?

Na cena imediatamente anterior, Noé matou Tubal-Caim e recuperou a relíquia da pele de cobra: "Sophia", a "Sabedoria", a verdadeira luz do divino. Apenas uma coincidência, claro...

Bom, estou quase terminando.

Falemos do arco-íris. Ele não aparece no final só porque Deus faz uma aliança com Noé. O arco-íris aparece quando Noé fica sóbrio e abraça a serpente. Ele enrola a pele em volta do braço e abençoa a família. Não é Deus que os encarrega de se multiplicar e encher a terra, mas sim Noé, em primeira pessoa, usando o talismã-serpente (a propósito, não é casual que os arco-íris sejam todos circulares. O círculo do "Um", o Ein Sof, na cabala, é o sinal do monismo).

Observe esta mudança: Noé estava bêbado na cena anterior. Agora ele já está sóbrio e "iluminado". Um cineasta nunca monta uma sequência dessas por acidente.

Noé transcendeu e superou aquela divindade ciumenta e homicida.

Faço algumas advertências depois de tudo isso.

Primeiro, a especulação gnóstica tem várias perspectivas. Alguns grupos se mostram radicalmente "dualistas", com "O Criador" sendo de fato um "deus" completamente diferente. Outros são mais "monistas", com Deus existindo em uma série de emanações descendentes. Outros, ainda, consideram que a divindade inferior pode "crescer", "amadurecer" e ascender na "escala" do ser, rumo a maiores alturas. Noé, provavelmente, se encaixa um pouco em cada categoria. É difícil dizer.




Minha outra advertência é esta: há uma tonelada de imagens, citações e temas da cabala neste filme e eu não conseguiria citar todas elas neste único texto. Por exemplo: a cabala geralmente se baseia em letras e números hebraicos; os "Vigilantes" pareciam ter, deliberadamente, a forma de letras hebraicas.

Eu não veria este filme de novo para escavar detalhadamente todas essas referências, nem sequer se você me pagasse (até porque, de um mero ponto de vista cinematográfico, achei a maior parte do filme insuportavelmente chata).

O que posso dizer, tendo visto a produção somente uma vez, é o seguinte:

Darren Aronofsky produziu uma releitura da história de Noé sem embasamento algum na Bíblia. É uma releitura totalmente pagã da história de Noé, baseada em fontes gnósticas e da cabala. Para mim, não resta simplesmente nenhuma dúvida sobre isso.

Agora deixem-me dizer qual é o verdadeiro escândalo em tudo isso.

Não é o fato de que o filme foge à versão bíblica. Não é o fato de que os críticos cristãos, decepcionados, tinham expectativas altas demais.

O escândalo é este: de todos os líderes cristãos que fizeram um grande esforço para endossar este filme (pelo motivo que fosse: "porque é um início de diálogo", "porque Hollywood está pelo menos fazendo alguma coisa ligada à Bíblia", etc.) e de todos os líderes cristãos que o condenaram por "não seguir a Bíblia", nenhum conseguiu identificar uma subversão flagrantemente gnóstica da história bíblica, por mais que ela estivesse bem debaixo dos seus narizes.

Eu acho que Aronofsky se propôs a experiência de nos fazer de bobos: "Vocês são tão ignorantes que eu sou capaz de colocar Noé (Russell Crowe!) nas telas e retratá-lo literalmente como a ‘semente da serpente’ e, mesmo assim, todos vocês vão assistir e apoiar".

Aronofsky está dando risada. E todos os que caíram no trote deveriam se envergonhar.

E olhem que foi uma experiência gnóstica impressionante! No gnosticismo, somente a "elite" possui "o saber" e o conhecimento secreto. Todo o resto das pessoas é um bando de ingênuos e tolos ignorantes. O "grande evento" deste filme é ilustrar esta premissa gnóstica: nós, “o resto”, somos ingênuos e tolos.

Será que a cristandade poderia acordar, por favor?

Em resposta, eu tenho uma sugestão simples:

De hoje em diante, nenhum seminarista deveria avançar de etapa se não demonstrasse que leu, digeriu e entendeu o texto “Contra Heresias”, de Irineu de Lyon.

Afinal de contas, estamos novamente no século II d.C.


Post scriptum:

Alguns leitores podem achar que eu estou sendo duro demais com as pessoas porque elas não perceberam o gnosticismo no coração deste filme. Eu não espero que os espectadores em geral percebam essas coisas. O que eu esperava deles, aliás, era exatamente o que vimos: uma confusão de coçar a cabeça. Mas espero, sim, uma reação muito diferente dos líderes cristãos: professores de seminários e de universidades, párocos, doutores. Se uma pele de serpente enrolada no braço de um personagem bíblico não dispara nenhum alarme diante deles... eu não sei nem o que dizer.
Via http://www.aleteia.org

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Energia Nuclear - uma caixinha de Pandora?


Oblivion

: estado de algo que não é lembrado, usado ou não mais pensado.
: estado de estar inconsciente
: estado de não saber o que está acontecendo ao seu redor
: estado de ser destruído

Você assistiu a esse filme com Tom Cruise? Não gosta desse gênero? Muita abobrinha? Tema repetitivo?

Darei uma síntese pra você que nem pensa em assistir.


No ano de 2077, Jack Harper (Tom Cruise), é um técnico zangão vivendo em uma torre alta acima das nuvens, com sua parceira Victoria / Vika (Andrea Riseborough). 

Esses dois são as últimas pessoas “sadias” que protegem o planeta Terra depois que ele foi destruído por alienígenas conhecidos como os catadores / 'Scavs', que queriam os recursos da Terra. 

O Scavs (supostos aliens) destruíram o satélite natural - nossa lua - o que causou uma série de desastres naturais gerando uma devastação globaloferecendo facilidade para uma invasão. Na guerra que se seguiu, os seres humanos foram forçados a usar armas nucleares contra o inimigo e venceram a guerra. Mas a radioatividade transformou a maior parte do planeta em um terreno baldio radioativo e “perigoso”.

A população de sobreviventes mudou-se para Titã, uma das luas de Saturno, com um número seleto de humanos habitando uma grande nave espacial em órbita em torno da Terra chamado de Tet....

O resto não vou contar, deixo pra você correr atrás. Só posso lhe adiantar que ao assistir com muita atenção a esse filme você abrirá um mega espaço no seu cérebro (HD).

Mas se você assistiu ao filme, e não viu nada, assista de novo, mas somente após ver esse documentário que eu trago - que ligará TOOOODOS os pontinhos que faltavam a sua percepção.


Pandora's Promise
é um documentário que aborda com riqueza de detalhes os momentos caóticos que passamos ao longo da historia mais recente da humanidade a respeito da polemica sobre a geração de energia nuclear. 

Estamos diariamente sendo bombardeados por falsas “bandeiras”. 
Fukushima é uma delas. São muitas informações que surgem com um único e exclusivo objetivo de nos manter sob o “domínio do medo”. E por que?

Porque não pesquisamos, não vamos atrás de uma nova opinião. Não nos damos ao trabalho de ler, assistir a vídeos, palestras online, deconversar com as pessoas para ouvir uma segunda opinião, ou simplesmente ouvir o que ela pensa a respeito de certos temas. 

O que não quer dizer que você deva aceitar essa opinião, mas apenas ouvi-la. Pode parecer absurda HOJE, mas talvez nem tanto alguns meses depois...

Não muito distante desse exemplo, essa semana fui taxada de “comunista” porque expus no meu texto passado, uma “outra” visão que não paramos para pensar, pesquisar ou discutir com coerência e determinismo. Aceitamos tudo muito facilmente quando nos convém.

Ao invés disso, a manada prefere fazer o que sempre faz; destruir a versão apresentada. Criar conflitos para anular qualquer chance que corrompa suas mais legitimas crenças. Lutar para manter seu posto de superioridade intelectual sobre os “ignorantes” ou “parvos” – como diriam os irmãos de Portugal.

Estamos do jeito que estamos (medrosos com tudo) por conta desse comportamento, dessa forma patética [e nada produtiva] de evitar aprender e apreender novas maneiras de perceber o mesmo evento, sem conflito, sem bravuras.

Trago um vídeo [abaixo] indicado pela amiga Simone Dias, que logo me enviou, pois sabe a importância de apontarmos novas alternativas para viver melhor e mais equilibradamente. O vídeo foi gentilmente legendado por algum ser divino, desses que nos ajudam a entender o quão ignorantes somos a respeito de TUDO!!!

Se não tivesse sido legendado na nossa língua estaríamos novamente reduzidos a um grupo pequeno e inibindo a informação a um grupo grandeque não domina a língua inglesa. Da minha parte faço uso esse canal (BLOG) postando o vídeo para alavancar mais e mais conhecimento a todos os cantos desse planeta, até onde ele puder alcançar.

O assunto é sério e pode nos ajudar a sair desse ciclo bizarro de PAVOR a respeito de RADIAÇÃO NUCLEAR e tudo mais que cerca esse tema.

Eu já havia lido muito a respeito dos efeitos dessa “radiação” no organismo, mas não tive um momento oportuno para trazer essa informação a todos que me assistem. Li muitos artigos científicos que mostravam que essa “radiação” não proporcionava o câncer. Os ventos “radiativos” não tinham esse poder que querem que acreditemos. Mas não irei me alongar. Veja você mesmo.

O documentário  Pandora's Promise explora como essa polemica e temida tecnologia se transformou em uma alternativa tão tentadora queaqueles que antes lutavam contra ela, agora a desejam, trazendo depoimentos de ambientalistas que eram, antes, anti-energia nuclear, mas compreenderam que tudo era apenas um mito...

Um mito gerado por aqueles que não desejam que sejamos fortes o suficiente para enfrentá-los...

"Eu criei você, Jack, eu sou o teu Deus" [Oblivion 2003]


laura botelho
 
 

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Sincromisticismo, parapolítica e matrix na série "Nosso Lar"




Clássico da literatura espírita, a série “Nosso Lar”, psicografada por Chico Xavier, é tradicionalmente interpretada pelo viés moral e religioso da “reforma íntima” do protagonista. Mas olhando detidamente em seu conjunto, a série oferece muito mais: a possibilidade da existência de um campo unificado entre ciências “materialistas” como a Política e Comunicação e o místico e o oculto. As descrições das influências do pensamento dos encarnados no Umbral e como “exércitos sombrios” espirituais próximos da Terra visam o domínio de corações e mentes do planeta para roubar “energia anímica” da humanidade (o que lembra o filme “Matrix”) forneceriam subsídios para duas abordagens heterodoxas: o Sincromisticismo e a Parapolítica.

Desde que li a primeira vez a série “Nosso Lar”, psicografada pelo médium Chico Xavier e atribuída ao espírito de André Luiz, impressionou-me a descrição da dinâmica dos mundos espirituais repleta de conceitos teosóficos como “formas-pensamento”, pluralidade de mundos que se interpenetram, as inter-relações entre os centros corporais de energia (chakras) e as energias presentes no “plano astral”, projeções astrais realizadas pelo espírito no sono etc.

Surpreendeu-me porque até então a abordagem que tinha sobre o conjunto dessa obra era concentrada na necessidade do que os espíritas chamam de “reforma íntima” (a necessidade da mudança interior moral, espiritual e ética no sentido evolutivo) concentrada no exemplo da trajetória espiritual do médico André Luiz. Palestras, preleções, e lições baseadas principalmente nos princípios do Evangelho cristão e a compreensão da Lei da Ação e Reação à qual todos os espíritos estariam submetidos.


Toda vez que releio os livros da série percebo que a narrativa vai muito além da trajetória pessoal do protagonista que descreve detalhadamente os mundos por onde passa. Há uma riqueza de informações que pode ser organizada em dois conceitos principais: Sincromisticismo e Para-política.

Realidade unificada: influências mútuas entre planos
Embora os principais personagens da série insistam que as diferenças entre a “crosta terrestre” e o “plano espiritual” sejam apenas vibratórias e que na verdade existe uma realidade unificada de influências mútuas entre planos, acho incrível como isso nunca foi seriamente explorado, principalmente as implicações em campos “materialistas” tais como Política, Economia e Ciências da Comunicação. Leituras, resenhas, palestras ou cursos sobre a série concentram-se em geral nas lições do evangelho cristão e na trajetória evolutiva espiritual do protagonista.

Escrita em 1942, em plena Segunda Guerra Mundial, são impactantes as descrições de como no momento desse conflito militar falanges organizadas espirituais cercavam as nações europeias para impulsioná-las ao conflito. A denúncia de “movimentos concentrados do mal” e de “organizações negras” altamente organizadas e hierarquizadas em regiões limítrofes à da “Crosta” terrestre alteram qualquer visão sobre as diferenças entre Céu e Inferno, ou seja, de um lado o Bem e a Ordem e, do outro, a desordem e caos de espíritos que apenas sofrem se consumindo em culpa.

A série Nosso Lar está repleta de relatos que abrem a possibilidade de criação de uma espécie de “campo unificado” entre as ciências materialistas (Ciência Política, Comunicação etc.) e as espiritualistas, indo além da interdisciplinaridade e transversalidade: união das ciências por meio de uma pluridimensionalidade. Os campos do Sincromisticismo e da Para-política seriam as primeiras abordagens dessa tentativa em esboçar um campo unificado científico.

Sincromisticismo: sincronismo entre pensamento e ação


Como vimos em postagens anteriores (veja links abaixo) a abordagem sincromística de pesquisadores como Jason Horsley, Christopher Knowles e Jake Kotze se baseia em conceitos como forma-pensamento, arquétipos e sincronicidade. A partir de noções teosóficas como a de forma-pensamento (criações mentais que utilizam matéria fluídica capazes de criar formas autônomas no Plano Astral), o Sincromisticismo concebe as relações sociais como que imersas em um oceano de pensamentos que por determinadas condições sedimentam-se em egrégoras e arquétipos capazes de produzir “conexões significativas”.
Vampirismo energético e formas-pensamento

Esse sincronismo entre pensamentos e ações estão presentes em diversas descrições na série “Nosso Lar”, principalmente de forma dramática nos livros “Os Mensageiros”, “Obreiros da Vida Eterna” e “Missionários da Luz” onde o protagonista André Luiz aprofunda-se nas diversas regiões do Umbral (zona espiritual mais próxima da vida física e que sofre a ação direta dos pensamentos e paixões dos encarnados) e participa de excursões de aprendizagem na crosta onde observa as ações devastadoras das formas-pensamento no cotidiano urbano em suas diversas manifestações: vampirismo, obsessões e doenças produzidas por uma “flora” de microrganismos espirituais.

Esses três livros têm como cenário as regiões da “Crosta”, “Umbral” ou “Trevas” ou “Umbral Grosso”, vibratoriamente mais próximo da Crosta, cuja atmosfera e topografia são criações plásticas das forças mentais: “esfera de vibrações mais forte da mente humana. Achamo-nos a grande distância da Crosta; entretanto já podemos identificar a influenciação mental da Humanidade (...) mergulhávamos num clima estranho onde predominavam o frio e a ausência de luz solar. A topografia era um conjunto de imagens misteriosas, lembrando filmes fantásticos da cinematografia terrestre. Picos altíssimos, agulha de trevas desafiando a vastidão, esquisita vegetação. Aves de aparência horripilante surgiam, medrosas.” Mais à frente: “todo este mudo que vemos é continuação de nossa Terra. Os olhos humanos veem apenas algumas expressões do vale em que se exercitam” (Os Mensageiros).

Em “Missionários da Luz” um instrutor faz a seguinte observação a André Luiz: “ As ações poduzem efeitos, os sentimentos geram criações, os pensamentos dão origens a formas e consequências de infinitas expressões. Cada um de nós é responsável pela emissão das forças que lançamos em circulação nas correntes da via. A cólera, a desesperação, o ódio e o vício oferecem campo a perigosos germens psíquicos na esfera da alma”. Essa afirmação situa-se no capítulo “Vampirismo” onde se discorre sobre a questão de espíritos se “alimentarem” dessas formas plásticas criadas em planos sutis pelas nossas ações e pensamentos.

Guerra Espiritual


Em “Obreiros da Vida Eterna” temos as mais dramáticas descrições do “Umbral Grosso”, não apenas como uma região para “esgotamento de resíduos mentais” como afirma no livro “Nosso Lar”, mas como um campo de combate entre grupos socorristas da “Casa Transitória” (instituição assistencial para resgatar espíritos dementados e com o corpo astral comprometido) e organizados grupos de verdugos armados e dispostos a fazer prisioneiros em abismos e lamaçais.

Confirmação das velhas mitologias
do inferno
Esses extensos grupos que “insurgem-se contra o próprio Criador” agrupam-se em “sombrias e devastadoras legiões, operando movimentos perturbadores que desafiam a mais astuta imaginação humana e confirmam as velhas descrições mitológicas do inferno”. São “grupos antigos” armados com “petardos magnéticos” cujas equipes socorristas enfrentam com “faixas de socorros, redes de defesa e lança-choques.”


Esses verdugos mantém extenso número de prisioneiros. Tais organizações parecem magneticamente se nutrir do medo, desespero, ressentimento e ódio dos prisioneiros. No livro “Libertação” temos mais detalhes dessas organizações e o vínculo com a Crosta:
Para muitas criaturas é difícil compreender a arregimentação inteligente dos espíritos perversos... Se ainda nos situamos distantes da santidade, não obstante os propósitos superiores que já nos orientam, que dizer dos irmãos infelizes que se deixaram prender sem resistência, às teias da ignorância e da maldade?... Enleados em forças de baixo padrão vibratório, não aprenderam a beleza da vida superior. (...) Organizam assim, verdadeiras cidades, em que refugiam falanges compactas de almas que fogem, envergonhadas de si mesmas, ante quaisquer manifestações da Divina Luz. Filhos da revolta e da treva, aí se aglomeram, buscando preservar-se e escorando-se, aos milhares, uns aos outros. (...) Inabilitados para a jornada imediata, rumo ao Céu, em virtude das paixões devastadoras que os magnetizam, arrebanham-se de conformidade com as tendências inferiores em que se afinam, na Crosta Terrestre, de cujas emanações e vidas inferiores ainda se nutrem , qual ocorre aos próprios homens encarnados. (...) O objetivo essencial de tais exércitos sombrios é a conservação do primitivismo mental da criatura humana, a fim de que o Planeta permaneça, tanto quanto possível sob seu jugo tirânico.” (Libertação)

Parapolítica e Matrix


Diante dessa natureza da alma humana ser emissora e receptora de energias etéricas capazes de criar forma e autonomia e capazes de moldar o entorno produzindo efeitos em ambos os planos (físicos e espirituais) as leituras tradicionais resumem-se a dizer: “orai e vigiai”, citando o Evangelho para reafirmar a retidão moral dos pensamentos.

Jacques Bergier
Tais leituras concentram-se no protagonista André Luiz, não percebendo que as questões levantadas pela série “Nosso Lar” vão além da esfera pessoal da reforma moral e ética. De acordo com essa ilustrações do Umbral, podemos dizer que a Terra e Umbral, mundo físico e espiritual corresponderiam ao Princípio da Correspondência do hermetismo de que “o que está encima é como está embaixo, o que está embaixo é como está encima”.

Se isso for verdade, as questões de dominação, jugo, guerras e conflitos existentes em ambos os mundos se interpenetram e se influênciam mutuamente. Isso claramente abre espaço para aquilo que chamamos por “parapolítica”: a conexão entre a política e fatores sincromísticos.

A política tradicional pensa as correlações de forças existentes entre governos, militares, finanças e a sociedade civil com seus diversos grupos de pressão. Ao lado disso, instituições como mídia, religião e escola engendram nosso sistema de crenças e modo de vida. Teóricos da conspiração argumentam que por trás disso tudo estariam ainda arquitetos ocultos que incluiriam sociedades secretas, linhagens de elites, sociedades empresariais, banqueiros internacionais e redes militares secretas. Essa seria no conjunto a máquina político-social.

Estudando o conjunto da série “Nosso Lar” por esse ponto de vista, podemos compreender tudo isso como um aspecto exterior, talvez a parte mais fácil de ser compreendida. Esses níveis políticos e conspiratórios seriam os caminhos através dos quais um imenso esforço de guerra espiritual estaria sendo travado em dois mundos, com múltiplas correspondências.

Talvez o engenheiro químico, membro da resistência francesa na Segunda Guerra Mundial, jornalista e escritor francês Jacques Bergier tenha sido aquele que mais se aproximou dessa abordagem para-política no livro “O Despertar dos Mágicos” escrito em parceria com Louis Pauwels em 1960. Abordando temas diversos da alquimia e civilizações perdidas até ciências ocultas e esotéricas, Bergier demonstra as origens ocultas do nazismo ao apresentá-lo como um movimento liderado por médiuns, paranormais, astrólogos e videntes, aproximando a política do realismo fantástico.

Retornando à série “Nosso Lar”, qual o objetivos dessas “legiões negras” que mantém “sistemas econômicos de natureza feudalista (“Os Mensageiros”), mantendo sob cativeiro “espíritos falidos” e que batalham contra o que chamam de “aristocracia espiritual” dos “espíritos de Luz”?

Poderiam essas organizações tirânicas do umbral nos ver como fontes inesgotáveis de energia anímica e entretenimento? Lendo detidamente a série “Nosso Lar”, podemos depreender uma extensa rede espiritual, fortemente hierarquizada e que luta pelo domínio de corações e mentes terrestres: “demônios”, formas-pensamento geradas pelo sofrimento humano e perversões e “fantasmas” trabalhando a serviço dos demônios, predadores não físicos que vagam e instigam o sofrimento humano, principalmente para ajudar a energia anímica liberada.

De imediato lembramos do filme “Matrix” (1999) onde a humanidade é prisioneira de uma tirania de supercomputadores que só têm um objetivo: cultivar seres humanos para retirar deles a energia psíquica produzida por  sonhos, prazeres e dores em experiências vivenciadas em um mundo virtual.

Mas talvez o filme “Ink” (2009) seja o que mais se aproxima dessa guerra espiritual travada em conjunto com as lutas políticas terrestres: pequenos demônios (os “incubus”) que invadem os nossos sonhos instigando pesadelos, ressentimentos e humilhações para alimentar uma organização fascistóide no Plano Astral.
 
Via http://cinegnose.blogspot.com.br/

segunda-feira, 31 de março de 2014

Neurogadget que promete sonhos lúcidos é sintoma da cultura dos aplicativos


Um aplicativo que promete para o usuário sonhos lúcidos. É o “Aurora”, criado por uma start up californiana e previsto para ser lançado no segundo semestre desse ano, que promete tornar os sonhos tão produtivos e eficientes que farão a terça parte da vida que passamos dormindo valer a pena. O neurogadget Aurora é um sintoma tanto da cultura atual dos aplicativos que cria nos usuários uma falsa ilusão de racionalidade e planejamento de onde nem os sonhos parecem escapar; e de uma agenda tecnognóstica que une neurociências, ciências computacionais e Inteligência Artificial com o propósito de efetuar a cartografia e topografia da mente com objetivos de manipulação e controle social.

Em postagem anterior discutíamos como o cinema parece antecipar uma espécie de agenda tecnocientífica – sobre isso clique aqui. Dessa vez, os diversos filmes que abordaram o tema dos sonhos lúcidos (Vanilla Sky, A Origem, Sonhando Acordado, entre outros) parecem ter se antecipado ou inspiraram um aplicativo criado pela IWinks, uma start up de San Diego, nos EUA: o “Aurora”, aplicativo que promete ao usuário criar sonhos lúcidos a partir de um dispositivo que mede as ondas cerebrais e o movimento dos olhos.

O sonho lúcido ocorre no momento em que o sonhador começa a ter uma relação de estranheza com o fluxo dos acontecimentos oníricos e passa a questionar a própria realidade. Consciente que se encontra num sonho, passa então a interferir na lógica onírica. O aplicativo “Aurora” supostamente promete criar essa situação para o usuário a partir do momento em que o dispositivo percebe os movimentos REM e a alteração das ondas cerebrais, enviando jogos de luzes e sons personalizados para o usuário que, sem despertar, perceberá que está num sonho - veja abaixo o video promocional do aplicativo.  


O Aurora é usado com uma fita na cabeça que mede as ondas cerebrais e os movimentos dos olhos, funcionando com uma ligação Bluetooth a uma app para smartphone.

O texto promocional do produto que estará disponível para o mercado em junho desse ano é eloquente: “A ideia de sonho lúcido tem sido perseguida por séculos. Nesse estado tudo é possível: zoom através do espaço, combater dragões cuspidores de fogo ou tornar-se presidente, tudo a partir do conforto e segurança da sua própria cama” – sobre essa notícia clique aqui e aqui.

Assim o neurocientista e engenheiro elétrico co-criador do Aurora, Dany Schoonover, descreve sua experiência com o aplicativo: “Eu vi as luzes e percebi que estava sonhando e, como eu estava caindo, ao invés disso eu comecei a voar”. Para ele, os estudos apontaram uma menor incidência de pesadelos. Com essa possibilidade de controle dos sonhos, o sistema promete melhorar a qualidade do sono: “passamos um terço de nossa vida dormindo. Por que não tirar o máximo proveito desse tempo?”, questiona a IWinks.

Para Schnoover, além da melhora da qualidade do sono e diminuição do stress, haveria uma melhora do desempenho das atividades reais: “ao executar uma tarefa em um sonho lúcido, como jogar basquete ou tocar piano, aumenta sua capacidade de jogar ou tocar na vida real”.

Mas já existem opiniões especializadas críticas ao projeto como a Dra. Rachel Salas, diretora do Centro de Distúrbios do Sono John Hopkins. Para ela o produto apenas explora o fascínio das pessoas pelos sonhos e que o dispositivo nada mais faz do que insuflar ainda mais o problema da insônia.

Pode ser que tudo seja especulação, um mero factoide promocional de uma start up californiana, mas a ideia por trás desse aplicativo é um sintoma não só das transformações atuais da tecnociência mas principalmente da forma como os aplicativos estão invadindo o nosso cotidiano criando uma verdadeira cultura, uma forma de pensar e compreender o mundo a partir do ponto de vista de um usuário de gadgets.

A ciência se transforma em gagdgets e aplicativos


Na pós-modernidade a ciência transformou-se em tecnociência e a tecnologia em gadgets. Filosoficamente isso significa dizer que no passado o desenvolvimento científico era impulsionado por aquilo que podemos chamar de topos projetado, uma consciência inquieta que queria enxergar longe, transpor o estado atual do sonhador para uma utopia futura realizada pela ciência. A ciência era impulsionada por uma ideia de totalização, aspirava a um projeto de planejamento global seja social, urbana etc. Uma invenção como, por exemplo, o automóvel não era uma mera criação de um gadget, mas implicava numa concepção global de organização espacial por meio do planejamento urbano, industrial e de transportes.

Hoje, esse topos projetado está sendo substituído por um logos concêntrico. A tecnologia até continua sofisticada, porém perde o seu caráter de planejamento, totalização e controle. A Ciência abandonou qualquer projeto que aspirava à universalidade, ao planejamento da totalidade global, social ou urbana. Ao assumir a forma de tecnociência, ela privatiza e individualiza seus propósitos. Abandona o macro para concentrar-se no micro: gadgets tecnológicos sofisticadíssimos e prédios inteligentes conectados com velozes fibras óticas enquanto as ruas e o entorno público são dominados pelo caos da poluição, trânsito e lixo.

A tecnologia transforma-se em gadget: as pessoas lidam com sofisticados aparelhos a partir de complexas telas, manipulam telematicamente eventos distantes, perscrutam, vigiam e controlam. Porém, diferente das utopias e distopias de controle e totalização do passado, apenas intervêm pontualmente, fragmentariamente, o que só fomenta o caos e a desordem.

E isso cria uma forma de pensar por gadgets fragmentários: o crime e violência crescem nas cidades? Blinde-se o carro. O trânsito está caótico? Baixe um aplicativo para android como o Waze de mapeamento de trânsito. Você está estressado e já acorda cansado? Compre o neurogadget Aurora? E assim por diante... Dessa maneira os aplicativos e gadgets criam uma falsa sensação de racionalidade, de segurança e planejamento. Suas ações pontuais e circunscritas à esfera privada do usuário renunciam a qualquer busca das causas públicas ou macrosociais da violência, do caos urbano e da péssima qualidade de vida. A ciência converte-se em tecnociência materializada por gadgets de ação pontual, fragmentada e privatizada, acelerando ainda mais o caos e desordem.

Um sono sem sonhos


O fascínio humano pelos sonhos e o seu controle
Essa cultura de gadgets e aplicativos vai resultar em um efeito de retroalimentação que pode ser observado nesse neurogadget Aurora: se no nível macro reina o caos e a desordem, obsessivamente buscamos a racionalidade no nível micro (nas telas de computadores e celulares, na busca de um aplicativo que resolva ou organize qualquer coisa) a tal ponto que todas as esferas da vida devem ser comandadas por um mesmo princípio de desempenho (eficácia, produtividade e eficiência seja no esporte, sexo, profissão, relações pessoais etc.) até chegar ao último refúgio de resistência a essa racionalidade desesperançada: o mundo dos sonhos e do inconsciente.

Se os sonhos foram o leit motiv de muitos insights científicos e motivador das utopias através quais a história da ciência se orientou, agora essa matéria-prima das descobertas deve ser disciplinada e orientada pelos mesmos princípios de eficácia e produtividade do mundo real: aprender a tocar piano ou jogar basquete com mais eficiência.

Curioso efeito de retroalimentação: uma espécie de sono sem sonhos que retira da ciência uma das suas principais inspirações e que, por isso, acaba se convertendo em gadgets para tentar solucionar desordens provocadas por um mundo igualmente sem sonhos.

O antigo movimento centrífugo das descobertas científicas em que as energias da imaginação nos conduziam para lugares “onde nenhum homem jamais esteve” inverte-se em movimento centrípeto, de contração em direção ao centro, ao presente. Isso é o que estamos chamando de logos concêntrico que, acreditamos, é a essência dessa cultura dos aplicativos e gadgets.

Portanto, pouco importa se esse neurogadget promete mais do que pode cumprir. Somente a sua concepção e interesses dos usuários pelo fascínio de controlar seus próprios sonhos (e o que é pior, confundir sonhos lúcidos com sonhos controlados) por si só já representa um sintoma de um duplo fenômeno: de um lado, um subproduto da agenda tecnognóstica que une neurociências, ciências computacionais e Inteligência Artificial com o propósito de efetuar a cartografia e topografia da mente com objetivos de manipulação e controle social; e do outro a cultura cotidiana dos gadgets e aplicativos que prometem trazer racionalidade e ordem à vida privada e manter distância do caos e desordem social. 
via http://cinegnose.blogspot.com.br/2014/03/neurogadget-que-promete-sonhos-lucidos.html

sexta-feira, 28 de março de 2014

“A Internet virá abaixo e viveremos ondas de pânico”

Dan Dennett, respeitado filósofo norte-americano, avalia as repercussões de uma queda total da rede no mundo digital.
Dan Dennett (Boston, 1942) é um homem pausado. Com barba branca, aspecto de catedrático entranhável e andar tranquilo, ninguém esperava quando subia os degraus até o palco do TED que o respeitado filósofo norte-americano estava a ponto de pronunciar um discurso que ressoa ainda pelos corredores do teatro construído pelo arquitetoDavid Rockwell: “A Internet cairá e quando isso aconteça viveremos ondas de pânico mundial. Nossa única possibilidade é sobreviver às primeiras 48 horas. Para isso temos de construir —se me permitem a analogia— um bote salva-vidas”.
A reportagem é de Toni García e publicada por El País, 25-03-2014.
Os botes salva-vidas são, segundo Dennett, o antigo tecido social de organizações de todo tipo que se viram (quase) aniquilados com a chegada de Internet. “Algumas tecnologias nos tornaram dependentes e a Internet é o máximo exemplo disso: tudo depende da rede. O que aconteceria se ela caísse? Nos Estados Unidos tudo desabaria em questão de horas. Imagine: acordar e a tevê não funciona. Obviamente não tem sinal no celular. Você não tem coragem de pegar o carro porque não sabe se essa vai ser sua última reserva de gasolina e os únicos que se prepararam para isso são todos esses malucos que constroem bunkers e armazenam armas. Certeza de que queremos que eles sejam nossa última esperança?”.
Dennett, famoso por suas teorias sobre a consciência e a evolução, e considerado um dos grandes teóricos do ateísmo, não mantém —explica a este diário— um tom alarmista, e também não quer ser acusado de catastrofista: “O que digo não tem nada de apocalíptico, pode falar com qualquer especialista e lhe dirá o mesmo que eu, que é questão de tempo a rede cair. O único que digo é que deveríamos preparar-nos: antes costumava haver clubes sociais, congregações, igrejas, etc. Todo isso desapareceu ou vai desaparecer. Se tivéssemos outra rede humana pronta... Se você soubesse que pode confiar em alguém, em teu vizinho, em teu grupo de amigos, porque previram a situação, não estaria mais tranquilo?”, pergunta Dennett, sentado em uma cadeira e acariciando-se a barba enquanto mastiga cada palavra.
O filósofo tem certeza: “a Internet é maravilhosa mas temos que pensar que nunca fomos tão dependentes de algo. Jamais. Ao pensar a respeito, é bastante irônico que o que nos trouxe até aqui possa levar-nos de volta à idade de pedra”, argumenta.
O professor na universidade de Tufts, considerado dono de uma das mentes mais brilhantes das últimas décadas, tem claro como chegamos até aqui: “Da invenção da agricultura, há 10.000 anos, a cultura evoluiu de um modo puramente darwiniano mas a chegada da tecnologia acelerou esse processo até um ponto imprevisível. Quem compra música agora? E livros? O mesmo pode ser dito do cinema ou de qualquer outra disciplina artística. O papel da cultura mudou completamente, exatamente o mesmo que acontece com a religião. E a tecnologia tem um papel muito relevante em tudo isto”.
E pergunta-se: “Tem isto solução?”. E responde: “Claro, os humanos somos incríveis prevenindo catástrofes. O que acontece é que ninguém recebe uma medalha por algo que não aconteceu. Os heróis são sempre os que atuam a posteriori, mas não tenho nenhuma dúvida de que a humanidade saberá se preparar para o que está por chegar. Há 20% de possibilidades de que esteja equivocado, também podemos nos agarrar a isso”.


terça-feira, 25 de março de 2014

Confira a lista abaixo das 10 teorias da conspiração mais fantasiosas e reflita:



10. Nova hipótese sobre o tempo afirma que mais de mil anos de nossa história não existiram

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Segundo a Hipótese do Tempo Fantasma, elaborada pelo historiador alemão Heribert Illig nas décadas de 1980, o períodos da História que compreendem a Europa durante a Baixa Idade Média (mais especificamente os anos entre 614 e 911) ou foram erroneamente datados ou simplesmente não aconteceram. A hipótese afirma que tem havido um esforço sistemático para encobrir esse fato, por meio da alteração e falsificação de documentos e provas físicas.
Semelhante a ela, a nova hipótese sobre o tempo levantada pelo matemático russo Anatoly Fomenko leva a questão da falsificação de tempo para patamares ainda mais insanos. Enquanto a hipótese de Illig retira 300 anos do nosso calendário, Fomenko afirma que 1.100 anos da nossa história foram uma farsa total, graças às maquinações de homens da Igreja nos séculos 15 e 16.
Usando um método que chamou de “análise empírico-estatística”, Fomenko chegou à conclusão de que a História Antiga foi, na realidade, apenas uma versão distorcida dos eventos medievais. De acordo com o matemático, o próprio Jesus Cristo viveu durante este período – e foi justamente a sua morte o evento que provocou as Cruzadas. Fomenko também enxerga Jerusalém como uma alegoria de Constantinopla ou mesmo da antiga Troia.
Com efeito, a teoria revolucionária (ou não) de Fomenko também se estende para outras linhas de tempo, como evidenciado por sua interpretação do rei Arthur como um príncipe russo que já reinou sobre a Grã-Bretanha. Até agora, Fomenko e seus seguidores continuam a trabalhar em sua teoria, apesar de já terem sido muito criticados pela maioria dos historiadores e por cientistas devido a seus métodos não convencionais e suas visões alternativas.

9. O povo japonês seria uma das tribos perdidas de Israel

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De acordo com uma lenda existente na vila japonesa de Shingo, Jesus Cristo não morreu na cruz do Calvário na sexta-feira santa. Seu irmão teria ocupado seu lugar enquanto Jesus teria fugido para uma terra muito distante (a própria vila de Shingo, no Japão), onde se tornou um rico fazendeiro, teve diversos filhos e morreu de causas naturais com 106 anos de idade.
Essa hipótese já seria louca o suficiente se não fizesse parte de outra ainda maior. Acredita-se que tenham sido os antigos japoneses que ensinaram os judeus a falar hebraico, de forma que podemos concluir que os britânicos não são os únicos descendentes das tribos perdidas de Israel, mas os japoneses também.
Segundo quem acredita nesta visão da História, após a desintegração de Israel antigo, alguns sobreviventes viajaram para o leste e acabaram por se instalar em áreas que correspondem aos atuais territórios do Oriente Médio, da Europa Central e do Sul e do Sudeste Asiático. Alguns viajaram ainda mais, até que finalmente chegaram às ilhas japonesas, onde se estabeleceu a religião xintoísta e nasceu o sistema de imperador. Gradualmente, mais membros das tribos perdidas, e até mesmo os cristãos orientais, imigraram para o Japão, onde se estabeleceram com os colonos originais.
Como argumento para fortalecer sua visão, os defensores dessa hipótese afirmam que a narrativa da história japonesa antiga reflete essencialmente a trajetória do povo judeu. Por exemplo, os reis de Israel Saul, Davi e Salomão ficaram conhecidos, na história japonesa, como os imperadores Chiuai, Sujin e Suinin. Eles também apontam semelhanças entre os costumes e as cerimônias realizadas pelas religiões judaica e xintoísta.

8. A evolução de nossos ancestrais foi impulsionada pelo consumo de cogumelos alucinógenos

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Já sabemos que os fungos psicodélicos têm sido usados em cerimônias religiosas e em encontros de caráter mais laico, mas poderia o consumo de cogumelos alucinógenos ter sido um importante fator de impulso na evolução de nossos ancestrais?
De acordo com a teoria do “macaco chapado”, desenvolvida pelo autor e filósofo americano Terence McKenna, após nossos antepassados descerem das copas das árvores, eles começaram a comer cogumelos com psilocibina (a substância que dá o caráter alucinógeno ao fungo), que existiam em abundância. Esse costume acelerou sua evolução. Acredita-se que a substância psicoativa tenha aprimorado as habilidades cognitivas de nossos antepassados e os ajudado a falar, a pensar e a desenvolver habilidades de lógica.
Segundo a teoria, esse comportamento foi desaparecendo ao longo de milhares de anos. Nossos ancestrais trocaram suas fontes de alimentos, o que resultou em seres humanos modernos, vivendo em um estado relativamente primitivo. McKenna baseia sua teoria principalmente em sua própria experiência – durante sua vida, ele, pessoalmente, experimentou inúmeras substâncias psicodélicas.

7. Nossos ancestrais viviam como anfíbios

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Outra teoria de nome engraçado, a do “macaco aquático”, afirma que os nossos antepassados viveram uma existência semiaquática e habitaram locais com abundância de água, como as margens de rios e de lagos. Esta teoria contrasta diretamente com a teoria padrão da savana, segundo a qual os nossos ancestrais evoluíram até apresentar traços humanos modernos nas planícies abertas, mais especificamente nas savanas africanas.
Formulada na década de 1960 pelo cientista marinho britânico Alister Hardy, a teoria do “macaco aquático” sustenta que as nossas capacidades humanas modernas são o resultado de uma existência anfíbia por parte dos nossos antepassados. Para procurar alimento, nossos ancestrais desenvolveram uma postura ereta, que lhes permitiu usar as mãos enquanto caminhavam em águas mais profundas. Para combater a temperatura fria, seus corpos eventualmente desenvolveram uma camada de gordura subcutânea. Estas características fisiológicas, além de algumas outras, como um cérebro relativamente grande, cavidades nasais vazias e laringe descendente, constituem provas concretas para os adeptos da teoria.
No entanto, a teoria foi fortemente ridicularizada desde a sua concepção pela comunidade científica dominante. Desde então, foi ressuscitada e se tornou um tema muito debatido entre os acadêmicos. No momento, porém, ainda é considerado um modelo não científico.

6. A cerveja foi a responsável pelo nascimento da agricultura

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Todos nós nos lembramos do momento crucial de nossa história em que deixamos de lado nossa vida nômade de caçadores e coletores e passamos a nos estabelecer em locais durante mais tempo. Isso tudo devido ao surgimento da agricultura, entre 5 e 10 mil anos atrás. O fator principal para esta transição? A cerveja.
De acordo com uma teoria desenvolvida pelo arqueólogo Brian Hayden na década de 1950, nossos ancestrais começaram a produzir cerveja e bebê-la como uma maneira de formar relacionamentos dentro de suas comunidades em constante expansão. Eventualmente, este costume levou a relações ainda mais complexas e entrelaçadas. Contudo, outro arqueólogo, Patrick McGovern, propôs algo muito mais radical.
Segundo McGovern, a própria cerveja foi realmente a principal razão para os nossos antepassados terem se estabelecido em primeiro lugar. McGovern acredita que os caçadores-coletores de nossa pré-história acidentalmente se tornaram viciados na intoxicação causada pela ingestão de frutas fermentadas. McGovern acrescenta que os nossos antepassados, apesar de não saberem química, eram perfeitamente capazes de fabricar cerveja por meio da experimentação constante. E, para manter um suprimento regular da bebida, era necessário conhecer técnicas relativamente intensivas de cultivo, incompatíveis com o estilo de vida dos caçadores-coletores nômades.
Além isso, McGovern argumenta que o consumo de álcool foi importante para os nossos ancestrais, principalmente porque o alto teor de açúcar da bebida lhes deu a energia de que precisavam para sobreviverem em locais de escassos recursos naturais. A partir desse ponto de vista, a invenção (ou mais para “descoberta”) da cerveja mostrou ser um grande sucesso evolutivo.

5. Gilles de Rais era inocente

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Também conhecido como o “Hannibal” da Idade Média, Gilles de Rais foi um nobre francês do século 15 conhecido um dos primeiros assassinos em massa de que temos notícia. Condenado e morto em 1440 pela morte de 200 meninos, acredita-se que ele tenha sido responsável, na verdade, pelo assassinato de mais de mil crianças.
Com todo esse histórico pavoroso, você diria que o francês foi um dos seres humanos mais horríveis que já caminharam pela Terra. Mas pode não ser bem assim. Existe uma controversa hipótese de que este assassino em série foi uma infeliz vítima de uma vasta conspiração para roubar sua fortuna.
Como membro da nobreza francesa, Gilles de Rais acumulou uma enorme fortuna durante sua vida, incluindo vastas extensões de terra na Bretanha. Após sua execução, seus principais detratores – o Bispo de Nantes e o Duque de Brittany – se apoderaram de seus bens e os dividiram entre si. O duque, a propósito, se apropriou da riqueza de Rais enquanto o julgamento ainda estava em curso. A natureza do julgamento típico da época medieval (que incluía tortura, testemunhas compradas e assim por diante) também dá crédito a esta visão.
Em 1992, um grupo de estudiosos realizou uma encenação do famigerado julgamento, a fim de testar esta teoria. Depois de exaustivamente estudarem o caso, os pesquisadores envolvidos no processo alegaram que Gilles de Rais na realidade era inocente, “vítima de provas circunstanciais”.

4. Os fenícios foram os primeiros a chegarem à América

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Alguns especialistas acreditam que os antigos fenícios foram a primeira civilização estrangeira a alcançar as terras pertencentes às Américas por vias marítimas. Eles teriam supostamente atingido a costa leste da América Central mais de 2 mil anos antes de Colombo. Segundo os defensores desta ideia, os fenícios certamente tinham os meios necessários para realizar viagens transatlânticas. Eles possuíam excelentes habilidades de navegação e chegaram a construir navios maiores do que os usados por Colombo no século 15.
Além disso, os fenícios provaram serem capazes de completar longas viagens ao realizar o que acredita-se ter sido a primeira circunavegação registrada da África, em 600 aC. Essa façanha foi verificada pelo marinheiro contemporâneo Philip Beale. Em 2008, o britânico usou uma réplica exata de um navio fenício para navegar o continente africano – e conseguiu. Atualmente, Beale está planejando atravessar o Atlântico com outra réplica, na tentativa de provar de uma vez por todas que os fenícios poderiam ter feito todo o caminho até a América.

3. Maomé nunca existiu

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Por se tratar do fundador da segunda maior religião do mundo (seguida por cerca de 1,6 bilhões de pessoas), esta pode ser considerada uma das mais controversas teorias desta lista. Historiadores como Robert Spencer e, mais recentemente, Sven Muhammad Kalisch, citam várias imprecisões históricas que dão peso a esta teoria. O argumento mais forte é de que os registros sobre o Alcorão e o próprio Islã só se tornaram conhecidos para o resto do mundo muito tempo após o nascimento da religião.
Os historiadores descobriram que as moedas, os monumentos e outros artefatos da época mal faziam menção a Maomé e ao Islã. Então, se Maomé nunca existiu, quem o inventou e por quê?
Kalisch explica que o império árabe combinou as figuras de Jesus e Moisés a fim de criar um símbolo unificador para o seu povo. Ele também acredita que as conquistas territoriais islâmicas nunca aconteceram de verdade. Além disso, Kalisch afirma que o próprio Alcorão traça um paralelo muito forte com os textos sagrados do Cristianismo e do Judaísmo. Um exemplo citado pelo historiador é o êxodo de Moisés do Egito, que mais tarde pode ter se tornado a fuga de Maomé de Mecca.

2. Os soviéticos planejavam atacar a Alemanha antes

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A história oficial nos ensina que, durante a Segunda Guerra Mundial, a Alemanha nazista agiu como agressora contra a sua antiga aliada União Soviética. A invasão nazista, que teve como codinome “Operação Barbarossa”, pegou os soviéticos totalmente desprevenidos, pois não esperavam que os alemães fossem atacá-los. Mas isso é tudo verdade?
De acordo com alguns historiadores revisionistas, principalmente um ex-oficial da inteligência soviética chamado Vladimir Rezun, a mobilização de Stalin, composta por milhões de homens em fronteiras com países europeus da União Soviética, não foi uma defensiva. Segundo eles, os soviéticos haviam preparado uma força de invasão maciça, pronta para atacar a Alemanha nazista antes. Hitler, que ficou sabendo do plano de seus inimigos, não teve outra escolha senão lançar um ataque contra os soviéticos.
Até agora, essa visão não convencional de fatos de grande importância da Segunda Guerra Mundial provocou muita polêmica entre os pesquisadores do conflito. Os defensores desta teoria afirmam que existem documentos que comprovam a intenção dos soviéticos em invadir a Alemanha, inclusive já discutindo sobre a melhor maneira de fazê-lo. Da mesma forma, um suposto discurso de Stalin indica que ele esperava que a guerra da Alemanha com a Inglaterra e a França deixasse os três países esgotados, tornando-os, consequentemente, presas fáceis para os soviéticos.

1. A Teoria da Falsificação Universal

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Se até agora estávamos falando de casos específicos de contradições históricas, esta teoria vai contra tudo e contra todos. Formulada pelo bibliotecário francês Jean Hardouin em 1693, ela afirma que um grupo misterioso teria forjado diversos textos gregos, romanos e latinos antigos durante os séculos 13 e 14. E não é só isso: Hardouin afirmava que a Bíblia, especialmente o Novo Testamento, tinha sido escrita originalmente em latim.
O francês chegou a essa conclusão depois de ter supostamente encontrado inúmeros erros nos textos antigos e clássicos. No começo, Hardouin acusou os beneditinos de serem os principais culpados por trás das falsificações. Mais tarde, ele afirmou que na realidade tinham sido os seguidores de uma figura misteriosa chamada Severo Archontius (uma alusão a Frederico II, do Sacro Império Romano-Germânico) que perpetraram esses documentos falsos.
De acordo com Hardouin, esse grupo esperava liderar as massas de volta ao paganismo escrevendo textos pró-pagãos, fazendo-os passar por literatura histórica genuína.
Embora seus companheiros da academia tenham tentado entender a teoria de Hardouin, seus impulsos em direção a pontos de vista muito radicais eventualmente o transformaram em um pária na comunidade científica.

Teoria Bônus: Jesus não morreu

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A simples menção a Jesus já é geralmente o suficiente para provocar uma enorme quantidade de controvérsias, direta ou indiretamente vinculadas a ele. De acordo com a chamada “teoria do desmaio”, Jesus teria apenas desmaiado devido a seus ferimentos e à crucificação, ou teria bebido uma droga que o fez perder a consciência. Depois de sua “morte”, Jesus teria escapado do túmulo por conta própria ou com a ajuda de seus discípulos.
Esta hipótese teve início no século 19 pelos teólogos alemães Karl Bahrdt, Karl Venturini e diversos outros colegas. A teoria continua a prosperar hoje em dia entre alguns céticos, e entre os pertencentes a outras religiões, principalmente na comunidade muçulmana de Ahmadi, movimento religioso fundado na Índia. Segundo eles, Jesus teria sido sobrevivido à crucificação e aos ferimentos decorrentes dela, tendo posteriormente se estabelecido na região de Caxemira (que hoje é disputada entre Índia e Paquistão), onde teria morrido aos 120 anos.
Os estudiosos rejeitam esta teoria até hoje, citando as diversas improbabilidades médicas que Jesus precisaria enfrentar para realizar sua fuga. Os defensores da teoria, por sua vez, se baseiam especialmente em três contra-argumentos que poderiam ter ajudado Jesus a sobreviver ao seu calvário.
Por um lado, a crucificação foi muito curta (cerca de seis horas) para garantir a morte certa. Em segundo lugar, os seus discípulos levaram o corpo de Jesus de uma forma muito rápida, tendo logo em seguida já preparado seu enterro, em segredo. Finalmente, embora o Evangelho de João tenha relatado o episódio de um soldado romano ter perfurado o corpo de Jesus com uma lança, é o único a mencionar o fato. Nenhum dos outros três evangelhos que o precederam menciona o incidente. [List Verse, UWGB e List Verse]

Via http://hypescience.com/as-10-teorias-da-conspiracao-mais-fantasiosas/