sexta-feira, 7 de novembro de 2014

A REVOLUÇÃO RUSSA

Neste exato momento muito se fala sobre ameaça do Comunismo, golpe, Ditadura Militar, mas pouco se sabe sobre a história. Não porque não haja fontes de informação, mas porque temos a tendência a sermos preguiçosos e a ficar limitados a um só lado da informação. Vejo isso com grande preocupação, pois todos estão cansados de saber que quando você controla a fonte de informação você controla o pensamento de um povo. É assim na China, Coréia do Norte, Cuba e, mais recentemente, Venezuela. Se no Brasil hoje não vivemos uma censura, como nos tempos da Ditadura Militar, o que temos são "currais de informação". Manadas de pessoas que por vontade própria só lêem notícias de um único ponto de vista (sejam elas de Direita ou Esquerda).

Foi pensando nessa polarização idiota que está ocorrendo no Brasil que me veio a idéia de fazer resumos mais detalhados do que foram o Comunismo e a Ditadura Militar.
Começarei com um resumo da história da Revolução Comunista na Rússia. Não está completa (a história mesmo tem muitos meandros) mas servirá para entender um pouco melhor do que você aprenderia na escola (a superficialidade do que encontrei em português chegou a me chocar):


REVOLUÇÃO RUSSA
Estamos nos últimos anos da I guerra mundial. Inglaterra, França e Russia se enfrentaram numa guerra de Impérios. Lenin, no seu exílio em Zurique, acreditava que a Rússia estava sendo usada como uma ferramenta dos imperialistas franceses e britânicos na Primeira Guerra Mundial, e que a sua participação no conflito foi a mando desses interesses. A Rússia vinha lutando internamente há décadas pra sair de uma economia/política basicamente feudal pra uma industrial, como seus pares. Como não tinha infra-estrutura, aceitou a vinda de estrangeiros para a construção de fábricas e a exploração de matérias-primas.

Em fevereiro de 1917, manifestações populares na Rússia provocadas pelos problemas econômicos na guerra forçou o czar Nicolau II a abdicar. A monarquia foi substituída por uma relação difícil entre o Governo Provisório Russo, composto de figuras parlamentares socialistas e, do outro lado, uma matriz de Sovietes: conselhos operários eleitos diretamente pelos trabalhadores, soldados e camponeses. É importante dizer que os Sovietes (ou Comunas) não foram criados legalmente: Foram originalmente organizações grevistas de trabalhadores que, com o tempo, foram incorporando mais e mais pessoas. Faziam protestos nas ruas contra os problemas na economia e foram ficando cada vez mais revoltados. Foram agregando filósofos, sociólogos e formando um poder informal que não poderia mais ser ignorado.

O maior e mais influente era o Soviete de Petrogrado. Como eles eram compostos de trabalhadores, possuíam controle de fato (e não de Direito) sobre estradas de ferro, telégrafos, mantimentos e outras infraestruturas. Isso forçou o Governo Provisório Russo a negociar, e a ceder cada vez mais poder ao Soviete de Petrogrado, no que a princípio foi um governo compartilhado (Havia o executivo e dentro dele o chamado "Ispolkom", ou seja, um comitê executivo formado por membros apontados pelos Sovietes).

Também tínhamos mini-sovietes dentro das fábricas. Com a crise, os proprietários abandonaram suas fábricas, ameaçando com o desemprego milhares de operários. A reação dos operários foi ocupar as fábricas para garantir a continuidade da produção. Para organizar a produção e gerir a administração foram constituídos os comitês de fábricas (ou sovietes de fábrica), formados por delegados eleitos pelos trabalhadores e com mandatos revogáveis a qualquer momento, significando que, se algum dos delegados não cumprisse com as responsabilidades assumidas, poderia ser destituído pelos demais trabalhadores.

Dessa forma, os operários, através de seus comitês, exerciam o poder no interior das fábricas. Esse exercício do poder ficou conhecido como controle operário da produção.

Os trabalhadores estavam divididos basicamente em dois partidos: De um lado os Mensheviks (que em russo significa "minoria" mas eram maioria nos sovietes) que eram Marxistas moderados e colaboravam com o modelo capitalista em busca de fazer uma revolução "controlada", dentro das leis, e mais próximas da filosofia de Karl Marx. E do outro lado os Bolsheviks ("maioria" em russo) que acreditavam na luta armada e na revolução direta, sem etapas. Lenin fazia parte dos Bolsheviks, e foi ele que cunhou o lema "Ditadura do Proletariado". Ironicamente todos os dois partidos se chamavam "Partido Russo Social-Democrático dos trabalhadores", embora um deles lutasse abertamente por uma ditadura.

Os Mensheviks eram maioria no Soviete de Petrogrado. Eles estavam divididos entre apoiar ou não a guerra. Já o Bolshevik, contando com a direção de Lenin (já de volta do exílio), ficou decidido a ser contra a guerra (para se focar na revolução interna). Assim, com o desenrolar da guerra e seu agravamento econômico, os Mensheviks foram perdendo cada vez mais espaço dentro do Sovietes para os Bolsheviks.

Em junho de 1917, sentindo que o momento era propício, os Bolsheviks começam uma forte campanha de propaganda, com 100.000 cópias do Pravda impressos ao dia e 350.000 folhetos por mês, onde eles fazem ataques ao governo que eles chamam de "burgueses", pedem o fim da guerra e o controle do poder pelos trabalhadores. Em julho de 1917 eles organizam vários protestos pacíficos contra o governo. Em Petrogrado eles levam 500.000 pessoas às ruas, pedindo o fim da guerra e brandindo cartazes com o lema "Paz, Terra e Pão: todo poder aos sovietes", onde "paz" é a saída da Rússia da guerra, "pão" é comida para todos e "terra" a reforma agrária, com o confisco de propriedades privadas para serem distribuídas pelo povo. Isso é visto (obviamente) como uma tentativa de golpe, e o Governo provisório coloca os militares para atirar contra o povo nas ruas. 700 morrem.

O governo fecha os jornais. Vários Bolsheviks são presos, mas graças à influência do Soviete de Petrograd são liberados por meio de fiança ou "bom comportamento". Lênin consegue fugir para a Finlândia.
O ódio ao governo cresce. Greve e protestos acontecem nas principais cidades. E essa tentativa de golpe acaba influenciando positivamente os Bolsheviks nas urnas. Um aumento de 50% nos votos em 3 meses!


(=== Abro um parêntese pra alertar os que gostam de história para o paralelo da ascenção do partido dos trabalhadores russos - Bolshevik com o do Partido dos Trabalhadores Alemão - NSDAP. Ambos se beneficiaram de conturbações econômicas e sociais internas pra crescer, num discurso radical de ódio contra os "burgueses" e uma máquina de propaganda azeitada, ambos tentaram um golpe pacífico contras as instituições democráticas que foram contidos à bala e fracassaram, tiveram membros presos e, assustadoramente, conseguiram com isso passar a idéia de heróis do povo e atraíram ainda mais admiradores do que tinham antes! ===)


Assim os Bolsheviks tinham agora a maioria do Soviete de Petrogrado e vários outros. Em setembro de 1917, Leon Trotsky, líder dos Bolsheviks (e que tinha sido preso no golpe frustrado), foi apontado como líder representante dos trabalhadores no Soviete de Petrogrado. Ele iria dirigir a transformação dos Sovietes em um complemento do partido Bolsheviks, passando por cima da autoridade do Ispolkom e dos outros partidos e membros dos Sovietes, como os Mensheviks. Os mini-sovietes (o controle operário da produção) também ganharam força, conseguindo adotar a jornada de trabalho de 8 horas em São Petersburgo e realizar um congresso nacional de comitês de fábrica em outubro, aglutinando em sua defesa, além dos trabalhadores do chão de fábrica envolvidos, forças políticas ligadas aos anarquistas e aos bolcheviques. Estes últimos, inclusive, utilizaram como lema para angariar o apoio das massas trabalhadoras a defesa do controle operário da produção como via de transformação da organização da sociedade.

Nesta maravilhosa "democracia" ditatorial Bolshevik (que seria implantada no ano seguinte) estariam impedidos de votar "aqueles que empregam outros para lucrar, aqueles que vivem de recursos não-derivados do seu trabalho direto (como donos de terra, indústria, etc), homens de negócio, agentes, padres e monges de todas as denominações, ex-empregados de polícia (?), membros da dinastia Romanov, lunáticos e criminosos".

Em 12 outubro de 1917 a Alemanha, enfrentando pouca oposição Russa, consegue chegar perto de Petrogrado. Aconselhado por militares, o governo quer se mudar para Moscou, mas o Soviete se nega. A maioria decide por criar uma milícia armada de trabalhadores para defender Petrogrado das ameaças militares E DOMÉSTICAS. Os Mensheviks se opoem, mas o Ispolkom aprova a resolução e cria o "Comitê Revolucionário Militar" (Milrevcom).


(=== Em mais uma similaridade, está criada aí a milícia armada do partido dos trabalhadores russos, essencial para a tomada e manutenção do poder, assim como existiu a milícia do partido dos trabalhadores alemães, a SA, e a milícia venezuelana, coordenada pelo Ministério do Poder Popular para as Comunas, que controla os chamados "colectivos" ou "Escuadrones de la Muerte". E por falar na milícia venezuelana, soube que esta semana está aqui no Brasil Elias Jauá Milano, vice-presidente e ministro desse mesmo "Poder Popular para Comunas", ensinando ao MST como agir na "revolução". Em sua mala de viagem, trazida por sua babá, além de uma arma também tinha vários manuais, como um que trata da "derrota permanente do inimigo" e cartilhas mencionando estratégias do Partido Comunista Chinês; uma delas ensina como "marcar e neutralizar o inimigo" e "como enfrentar crises e conflitos reais". =====)

Com a legalização da milícia com o nome pomposo de "militar", eles decidem - sem direito algum - assumir o controle das tropas regulares do exército em Petrogrado. Um comandante se recusa a entregar suas tropas, e é logo acusado de ser "contra-revolucionário". Assim como ocorreria na Alemanha, a milícia acaba dominando o Exército.

Em novembro de 1917 tivemos a votação para a Assembléia Constituinte Russa, que iria suceder o Governo provisório de forma democrática, através dos votos nas urnas. Inicialmente o partido Bolshevik apóia a Assembléia, mas após o resultado....

Dentro dos Sovietes (que eram influentes nas grandes cidades) o poder estava dividido basicamente entre Bolsheviks e Mensheviks, já que eram os partidos os trabalhadores. Mas na Rússia como um todo havia outros partidos, que viriam a compor a Assembléia Constituinte Russa. E o mais popular nas regiões rurais, que constituíam a maioria da população Russa, era o Partido Revolucionário Socialista. Acontece que esse partido (que é visto pelos Bolsheviks como de direita, graças ao alinhamento com o governo provisório) teve a maioria dos votos, devido ao apoio da população rural, elegendo para a Assembléia 370 deputados (os Bolsheviks elegeram 175 e os Mensheviks apenas 16). O que Lenin, esse homem admirado como herói e intelectual, disse do resultado das urnas?

Já de volta do exílio, em seu ensaio "Teses Sobre a Assembleia Constituinte" ele argumenta que a República dos Sovietes "é uma forma mais elevada de democracia que a tradicional república burguesa com a Assembléia Constituinte. Os interesses da revolução de Outubro de 1917 permanecem maiores que os direitos formais da Assembléia Constituinte. Cada tentativa direta ou indireta de reconhecer a Assembléia Constituinte do ponto de vista legal e formal - dentro do contexto ordinário da democracia burguesa e sem olhar a luta de classes e a guerra civil - seria uma traição à causa proletariada e a adoção do ponto de vista burguês".


(=== Fantástico, não? Antes das eleições os Bolsheviks apóiam a Assembléia. Ao perceber que não têm mais o MONOPÓLIO do poder (como tinham nos Sovietes) Lenin usa essa baboseira de "burguesia" (uma tática perversa de designar tudo o que você é contra com um apelido, como aliás a esquerda brasileira faz muito bem) pra desviar a atenção do fato de que foi a população RURAL (e não burgueses) que elegeu a maioria dos seus representantes, e diz diretamente que sua revolução tem prioridade sobre os votos do POVO e que os Sovietes têm prioridade sobre a DEMOCRACIA. ====)

Então Lenin propõe que sejam feitas novas eleições (???) e que nesse intervalo um governo exclusivamente dos Sovietes seja aceito como provisório (que meigo, não?). A coisa era tão bizarra que nem mesmo a maioria dos membros dos Bolsheviks aceitaram a proposta. Mas durante o mês de dezembro conseguiram convencer a maioria. Enquanto isso o Partido Revolucionário Socialista se racha entre direita e esquerda. A minoria de esquerda se junta em apoio aos Bolsheviks.

Ainda em novembro Lênin decide que o controle operário deve estar ligado à fiscalização das ações e da contabilidade das empresas pelos trabalhadores, e não à produção e administração, ficando estas funções a cargo dos especialistas técnicos, como engenheiros e administradores. Com essa perspectiva, o novo Estado publicou o decreto do controle operário da produção, criando o Conselho do Controle Operário de toda a Rússia, responsável pela gestão das indústrias. Mas a participação dos trabalhadores foi limitada, sendo que os especialistas técnicos ocuparam a maior parte dos postos existentes, passando a tomar a maioria das decisões.

Para conseguir mais apoio para o golpe de Estado os Bolsheviks escrevem a "Declaração do direito nacional dos povos", onde se comprometem a acabar com a dominação exercida pelo governo russo sobre regiões tais como a Finlândia, a Geórgia e a Armênia. A liberdade desses dois últimos países não durou mais que 4 anos: foram anexados pelo novo império Bolshevik, e sofreram expurgos e execuções nas mãos de Stalin. A Finlândia (que inclusive mandou tropas armadas para apoiar o golpe) foi invadida em 1939, numa decisão que até hoje Vladmir Putin acha justa.

Em 18 de janeiro de 1918 uma multidão se reúne em frente à Assembléia de Petrogrado para protestar contra a tomada de poder dos Bolshevik. Mas não são muitos: alguns soldados e trabalhadores, estudantes de classe-média e profissionais liberais. Numa inversão de papéis, agora são os militares leais aos Bolsheviks que atiram contra a multidão, que se dispersa.
O Bolshevik Ivan Skvortsov-Stepanov, em um discurso aprovado por Lenin, explica a oposição à "democracia burguesa":

"Como vocês podem adotar tal conceito de 'vontade do povo'? Para um Marxista a noção de 'o povo' é inconcebível: o povo não age como uma unidade. Isso é uma mera ficção, e essa ficção é alimentada pelas classes dominantes. Está tudo acabado entre nós. Vocês pertencem a um mundo, com os cadetes do exército e a burguesia, e nós a um outro mundo, com a população rural e os trabalhadores."


(=== Qualquer semelhança com o discurso de "nós contra eles" não é mera coincidência. ====)

Em 19 de janeiro de 1918, primeiro dia dos trabalhos da Assembléia eleita, um membro de direita do Partido Revolucionário Socialista é eleito como presidente da Casa por maioria. A proposta do partido Bolshevik de novas eleições é rejeitada por 237 votos a 136. É o sinal para que os Bolsheviks (com apoio dos Anarquistas e a ala esquerda do Partido Revolucionário Socialista) dêem o golpe, reúnam seus soldados e declarem a Assembléia dissolvida. Lenin deixa a Assembléia e instrui seus soldados a não usarem de violência, apenas esperar até que os outros deputados saiam da Assembléia. Os deputados ficaram até às 4 da manhã. No outro dia já não puderam mais entrar. E assim termina a curta história da democracia Russa.
O povo russo, apático, alienado e cansado de uma sucessão de governos pouco populares, não se manifestou em defesa da Democracia. A política era algo distante e complicada demais para mobilizar as zonas rurais.

Março de 1918: Foi adotada uma forma de administração das indústrias em que a direção ficava nas mãos de um único administrador, subordinando os comitês de fábrica a ele. Os administradores eram nomeados pelo Estado e não mais eleitos pelos trabalhadores, retirando, dessa forma, o poder que anteriormente era exercido pelos trabalhadores no interior dessas empresas. Com a nomeação de um administrador único que seria apenas fiscalizado, os trabalhadores deixaram de decidir sobre a gestão da empresa. Com o início da Guerra Civil e a militarização da produção industrial subsequente, o controle operário foi abandonado, extinguindo, dessa forma, os comitês de fábrica.

O que acontece depois? Os antigos aliados dos Bolsheviks, os Anarquistas e os esquerdistas do Partido Revolucionário Socialista, se juntaram a outros partidos políticos na tentativa de depor o governo ditatorial bolchevique, que começa assim a perseguição e a prisão de todos os anti-Bolsheviks, e o início de uma ditadura exclusivamente Bolshevik.

E assim veremos violência, violência e mais violência (como uma sangrenta guerra civil, esmagamento dos que lutavam por eleições livres em Kronstadt, assassinato da família real, um dos maiores genocídios já registrados na humanidade, o Holomodor na Ucrânia, etc. etc). Um imperialismo que não terminou mesmo hoje, décadas após a queda da União Soviética, onde a Rússia continua ameaçando a Ucrânia.

Do meu estudo que, repito, não é dos mais aprofundados mas também não é raso, percebo que, sob o comando direto de Lenin o partido Bolshevik mentiu, manipulou, fez alianças quando era vantajoso, traiu seus aliados, lutou em nome dos trabalhadores e depois tirou o poder dos trabalhadores, lutou em nome dos camponeses mas ignorou seus votos nas urnas, fechou uma Assembléia que antes apoiava, falou em paz mas fez guerra, dividiu o país entre burgueses e trabalhadores e depois apelidou tudo o que não concordava de "burguês". E tudo isso sem nem mencionarmos Stalin, um dos maiores genocidas da história recente, superando até mesmo Hitler, e só atrás de Mao-Tsé-Tung, outro que matou em nome do Comunismo.
Me espanta que hajam pessoas que pensem que estes são heróis. Ou melhor, não me espanto não. A afinidade com um ou outros ídolos vai do caráter de cada um.

Referências:

Wikipedia BR: Lenin
Brasilescola: Controle Operário na Rússia
Wikipedia: Russian Constituent Assembly
Wikipedia: Soviet (council)
Wikipedia: Leon Trotsky
Wikipedia: July Days
Wikipedia: October Revolution


FONTE : http://www.saindodamatrix.com.br/archives/2014/11/a_revolucao_russa.html

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

O valioso sangue azul dos caranguejos-ferradura que salva vidas



Caranguejo-ferradura Límulo sangue azul

Todo ano cerca de 250 mil caranguejos-ferradura, esse bichinho feio que, apesar do nome, tem mais parentesco com aranhas e escorpiões do que com crustáceos, são retirados de seu habitat na costa leste dos EUA e submetidos a um processo de extração de sangue. Além de valioso, ele é muito importante para a nossa saúde.
À primeira vista, a característica mais curiosa do sangue do caranguejo-ferradura (também conhecido como Límulo) é sua cor azul. Ele é assim devido à presença da hemocianina para o transporte de oxigênio nas células sanguíneas, similar à nossa hemoglobina, mas baseada em cobre em vez de ferro.
Embora bonito, o que torna o sangue desses caranguejos valioso são suas propriedades medicinais. Um componente químico encontrado em seus amebócitos consegue detectar e isolar contaminações por bactéria rapidamente (45 minutos, contra dois dias em mamíferos) e, mais importante, mesmo quando ela está presente em quantidades ínfimas – até uma parte em um trilhão.
Esse material é usado para testar equipamentos médicos e vacinas. Se alguma bactéria é encontrada, ele coagula e vira um tipo de gel, indicando a presença dela. Se não, é sinal verde para serem usados em nós. Esse processo simples e quase instantâneo, chamado de teste LAL, evita muitas mortes por infecção. Nos Estados Unidos, a FDA, equivalente à Anvisa, impõe esse teste a toda a indústria farmacêutica e de implantes cirúrgicos.
Infelizmente, a “doação” de sangue pelos caranguejos-ferradura não é tão simples quanto a feita por nós. Tanto que, após detectarem um declínio na população do artrópode na América do Norte, as cinco empresas responsáveis pela coleta de sangue implementaram mudanças: agora, elas colhem no máximo 30% do sangue de cada caranguejo-ferradura e os devolvem à natureza em seguida. Mesmo assim, estima-se que entre 10 e 30% deles morra no processo, e entre as fêmeas sobreviventes, foi constatado que a taxa de natalidade diminui.
Além dos benefícios à saúde humana, existe outro fator que pesa: o valor financeiro do belo sangue azul dos caranguejos-ferradura. Um litro chega a valer US$ 15 mil, o que faz dessa coleta uma indústria multimilionária. Existem pesquisas que buscam criar uma variedade sintética do elemento que nos interessa, mas ela ainda é bastante preliminar e precisa de mais tempo para ser desenvolvida. [Atlantic via IFLScience]

 Via http://gizmodo.uol.com.br/caranguejos-ferradura-sangue-azul/

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Uma nova teoria para a origem da vida


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Jeremy England, 31, físico no MIT (Massachusetts Institute of Technology), acha que encontrou a força que impulsiona a origem e a evolução da vida.
Primeiramente, por que a vida existe?
Hipóteses populares creditam uma sopa pré-biótica, uma imensa quantidade de raios e um tremendo golpe de sorte. Mas se uma nova teoria estiver correta, a sorte pode ter exercido um papel mínimo. Em vez disso, de acordo com o físico que propõe a ideia, a origem e a subsequente evolução da vida seguem um padrão das leis fundamentais da natureza e “deve ser tão natural quanto pedras rolando por uma ladeira”.
No ponto de vista da física, há uma diferença essencial entre seres vivos e aglomerados inanimados de átomos de carbono: o primeiro tende a ser bem melhor em absorver a energia do seu ambiente e dissipar ela em forma de calor. Jeremy England, 31, professor no MIT (Massachusetts Institute of Technology), tem desenvolvido uma fórmula matemática que ele acredita que possa explicar essa capacidade. A fórmula, baseada em uma física já conhecida, indica que quando um grupo de átomos é guiado por uma fonte externa de energia (tal como o Sol ou combustíveis químicos) e cercada por um meio que mantenha o calor (como o oceano ou a atmosfera), ele provavelmente irá se reestruturar gradualmente, de forma a dissipar cada vez mais energia. Isso poderia significar que em determinadas condições, a matéria pode inevitavelmente adquirir o atributo físico associado à vida.
Células do musgo Plaguimnium, com cloroplastos visíveis, organelas responsáveis pela fotossíntese. Imagem por: Kristian Peters
Células do musgo Plaguimnium, com cloroplastos visíveis, organelas responsáveis pela fotossíntese. Imagem por: Kristian Peters
“Você começa com um aglomerado aleatório de átomos, e, se você deixá-lo exposto à luz por um determinado tempo, não seria surpreendente se você conseguisse uma planta”, diz England.
A teoria de England está destinada a fundamentar e sustentar, ao invés de substituir, a teoria da evolução de Darwin, que pode prover uma poderosa descrição da vida. “Eu certamente não estou dizendo que as ideias darwinianas estão erradas”, ele explica. “Muito pelo contrário, eu só estou dizendo que, de acordo com a perspectiva da Física, você pode chamar a evolução darwiniana de um caso específico de um fenômeno generalizado”
Sua ideia, detalhada em um paper e mais bem elaborada em palestras das quais ele está dando para universidades ao redor do mundo, gerou uma polêmica entre seus colegas, que veem isso como um tênue ou um potencial avanço.
England avançou “um bravo e importante passo”, diz Alexander Grosberg, professor de Física na Universidade de Nova Iorque que tem seguido os trabalhos de England desde os primeiros estágios. A “grande esperança” é como ele tem identificado o princípio da física subjacente que vem conduzindo a origem e a evolução da vida.
“Jeremy é apenas o mais brilhante jovem cientista do qual eu já ouvi falar”, diz Atilla Szabo, um biofísico do Laboratório de Físico-Química do NIH (National Institutes of Helth), que apoiou England e sua teoria depois de conhecê-lo em uma conferência. “Eu fiquei surpreso com a originalidade das ideias”.
Outros, tal como Eugene Shakhnovich, um professor de Química, Bioquímica e Biofísica na Universidade de Havard, não estão convencidos. “As ideias de Jeremy são interessantes e potencialmente promissoras, mas neste ponto ele é bastante especulativo, especialmente quando está se referindo ao fenômeno da vida”, diz Shakhnovich.
Os resultados teóricos de England são considerados válidos. É, em sua interpretação, o que os torna improváveis. Mas já há ideias de como testar essa interpretação no laboratório.
“Ele está tentando algo radicalmente diferente”, diz Mara Prentiss, professora de física da Universidade de Harvard. “Em linhas de organização, eu acho que ele tem uma ideia fabulosa. Certa ou errada, valerá muito a pena a sua investigação”
Simulação gráfica por Jeremy England e seus colegas, onde mostra um sistema de partículas confinadas dentro de um líquido viscoso do qual as partículas destacadas de turquesa são estimuladas por uma força. Depois de um tempo (de cima para baixo), a força provoca a formação de mais ligações entre as partículas. Imagem cedida por:  Jeremy England
Simulação gráfica por Jeremy England e seus colegas, onde mostra um sistema de partículas confinadas dentro de um líquido viscoso do qual as partículas destacadas de turquesa são estimuladas por uma força. Depois de um tempo (de cima para baixo), a força provoca a formação de mais ligações entre as partículas. Imagem cedida por: Jeremy England
Na sua monografia “O que é vida?”, em 1944, o eminente físico quântico Erwin Schrödinger argumentou que isto é o que os seres vivos precisam. Uma planta, por exemplo, absorve extremamente a luz solar, usa ela para produzir açúcares e “ejeta” luz infravermelha. A entropia total do universo aumenta durante a fotossíntese à medida que a luz solar se dissipa.
A vida não viola a Segunda Lei da Termodinâmica, mas até recentemente, físicos eram incapazes de usar a Termodinâmica para explicar porque ela deve surgir em primeiro lugar. Na época de Schrödinger, eles só poderiam resolver as equações da Termodinâmica aplicadas em sistemas fechados em equilíbrio. Na década de 60, o físico belga Ilya Prigogine teve progresso em prever o comportamento de sistemas abertos movidos por fontes de energia internas (o motivo dele ter ganho o Prêmio Nobel de Química em 1977). Mas o comportamento dos sistemas que estavam longe de um equilíbrio, conectados com o ambiente externo e fortemente influenciados por fontes externas de energia, não poderiam ser previstos.
A situação mudou mais tarde. na década de 90, devido, principalmente, ao trabalho de Chris Jarzynski, agora na Universidade de Maryland, e de Gavin Crooks, agora no Labotarótio Nacional Lawrence Berkeley. Jarzynski e Crooks mostraram que a entropia produzida por um processo termodinâmico, tal como o resfriamento de um copo de café, corresponde a uma simples razão: a probabilidade de que os átomos vão submeter-se a tal processo dividida pela probabilidade deles sofrerem o processo inverso (isto é, a interação espontânea de tal modo que o café aquece). A fórmula, ainda que rigorosa, poderia ser, em princípio, aplicada para qualquer processo termodinâmico, não importando o quão rápido ou longe do equilíbrio. “Nossa compreensão do equilíbrio de Mecânica Estática melhorou muito”, Grosberg disse. England, que é treinado em Física e Bioquímica, começou seu próprio laboratório no MIT há dois anos e decidiu aplicar o seu conhecimento de Física Estática em biologia.
Usando a formulação de Jarzynski e Crooks, ele derivou uma generalização da Segunda Lei da Termodinâmica que atribui a certos sistemas de partículas com certas características: os sistemas são fortemente movidos por uma fonte externa de energia tal como uma energia eletromagnética, e eles podem descartar calor em um banho circundante. Essa classe de sistemas inclui todos os seres vivos. England, então, determinou o quanto os sistemas tendem a evoluir ao longo do tempo à medida que a irreversibilidade aumenta. “Nós podemos mostrar, de forma muito simples, a partir da fórmula, que os resultados evolutivos vão ser aqueles que absorvem e dissipam mais energia para o ambiente externo, no caminho para chegarem lá”, ele diz. As descobertas fazem um senso intuitivo: partículas tendem a dissipar mais energia quando elas são estimuladas por uma força motriz.
“Isto significa que os aglomerados de átomos rodeados por um banho de certa temperatura, como a atmosfera ou o oceano, devem tender, ao longo do tempo, a se organizarem para repercutir melhor com as fontes de trabalho mecânicas, eletromagnéticas ou químicas nos seus ambientes”, England explica.
Courtesy of Michael Brenner/Proceedings of the National Academy of Sciences
Cachos de Esferas Auto-Replicativas: De acordo com a nova pesquisa da Harvard, o revestimento das superfícies das esferas podem causar a espontânea montagem em uma estrutura determinada, tal como o politetraedro (vermelho), o que faz que as esferas vizinhas percorram o mesmo caminho.
A auto-replicação (ou reprodução, em termos biológicos), é o processo que move a evolução da vida na Terra, é um mecanismo pelo qual um sistema pode dissipar uma ascendente quantidade de energia ao longo do tempo. Como England cita, é “uma boa forma de se dissipar é fazendo cópias de si mesmo”. Em um paper para Journal of Chemical Physics, ele informou o mínimo teórico para que a dissipação possa ocorrer durante a auto-replicação das moléculas de RNA e das células bacterianas, e mostrou que é muito perto dos reais valores de dissipação que esses sistemas podem ter enquanto replicam. Ele também mostrou que o RNA, o ácido nucleico, que muitos cientistas acreditam que serviu como precursor do DNA, é particularmente um material simples e “barato”. Uma vez que o RNA surgiu, ele argumenta, a sua “aquisição darwiniana” não foi, talvez, surpreendente. A química da sopa pré-biótica, mutações aleatórias, geografia, eventos catastróficos e outros inúmeros fatores contribuíram para os detalhes da diversidade das fauna e flora do planeta. Mas, de acordo com a teoria de England, o princípio subjacente que conduz todo o processo é resultado da adaptação orientada à dissipação da matéria.
Cachos de Esferas Auto-Replicativas: De acordo com a nova pesquisa  da Harvard, o revestimento das superfícies das esferas podem causar a espontânea montagem em uma estrutura determinada, tal como o politetraedro (vermelho), o que faz que as esferas vizinhas percorram o mesmo caminho. Imagem por: Michael Brenner
Cachos de Esferas Auto-Replicativas: De acordo com a nova pesquisa da Harvard, o revestimento das superfícies das esferas podem causar a espontânea montagem em uma estrutura determinada, tal como o politetraedro (vermelho), o que faz que as esferas vizinhas percorram o mesmo caminho. Imagem por: Michael Brenner
Esse princípio também se aplicaria à matéria inanimada. “É muito tentador especular os fenômenos da natureza, nós podemos, agora, caber nessa grande tenda de organização e adaptação pela dissipação-condução”, England diz. “Muitos exemplos como esse poderiam estar bem debaixo do nosso nariz, mas não os notamos porque não temos estado a observá-los”.
Cientistas já observaram a auto-replicação em sistemas inanimados. De acordo com a nova pesquisa, liderada por Philip Marcus, da Universidade da Californa, Berkley, e divulgada naPhysical Review Letters, em Agosto, vórtices em fluidos turbulentos replicam-se espontaneamente através da energia da matéria ao seu redor. Em um outro paper publicado no Proceedings of the National Academy of Sciences, Michael Brenner, um professor de Matemática Aplicada e Física de Harvard e seus colaboradores apresentaram modelos teóricos e simulações de microestruturas que se auto-replicam. Esses aglomerados de microesferas, especialmente revestidas, dissipam energia por estimular esferas próximas a formar aglomerados idênticos. “Isto se liga muito ao que Jeremy está dizendo”, Brenner diz.
Além da auto-replicação, a organização estrutural é outro meio pelo qual os sistemas são fortemente impulsionados para dissipar energia. Uma planta, por exemplo, é melhor em capturar e rotear a energia solar através de si que um aglomerado de átomos de Carbono não estruturados. Assim, England argumenta que, sob certas condições, a matéria irá espontaneamente se auto-organizar. Essa tendência poderia explicar a ordem interna dos seres-vivos e de muitas estruturas inanimadas. “Flocos de neve, dunas de areia e vórtices turbulentos, todos têm em comum que são estruturas definitivamente moldadas que surgem em muitos sistemas de partículas conduzidos por um processo dissipativo”, ele diz. Condensação, vento e resistência do ar são relevantes processos nesses casos particulares.
“Ele está me fazendo pensar que a distinção entre seres-vivos e inanimados é apagada”, diz Carl Franck, um Físico Biológico da Universidade de Cornell, em um e-mail. “Estou particularmente impressionado por essa noção de quando um considera sistemas tão pequenos quanto circuitos químicos envolvendo algumas biomoléculas.
A ideia ousada de England, muito provavelmente, irá sofrer um exame bastante detalhado nos anos seguintes. Ele está, por enquanto, trabalhando apenas com simulações gráficas feita em computador para testar a sua teoria de que os sistemas de partículas adaptam suas estruturas para facilitar a dissipação de energia. O próximo passo será fazer experimentos em sistemas reais.
Prentiss, que dirige um laboratório de Biofísica Experimental em Havard, diz que a teoria de England pode ser testada a partir da comparação de células com diferentes mutações e procurando a correlação entre a quantidade de energia que as células dissipam com as suas taxas de replicação. “É preciso ter cuidado porque uma mutação poderia ter resultados diferentes”, ela diz. “Mas se alguém continuar fazendo muitos desses experimentos em diferentes sistemas e se são de fatos correlacionados, isto quer dizer que ele é o princípio de organização correto”.
Se a teoria estiver correta, a mesma física que se identifica como responsável pela origem dos seres-vivos poderia explicar a formação de mais outras estruturas padronizadas na natureza. Flocos de neve, dunas de areia e vórtices auto-replicativos em um disco protoplanetário podem ser exemplos de uma adaptação à dissipação. Imagem por: Wilson Bentley
Se a teoria estiver correta, a mesma física poderia explicar a formação de mais outras estruturas padronizadas na natureza. Flocos de neve, dunas de areia e vórtices auto-replicativos em um disco protoplanetário podem ser exemplos de uma adaptação à dissipação. Imagem por: Wilson Bentley
Brenner diz que ele espera conectar a teoria de England com as suas próprias construções de microesferas e determinar se a teoria prediz corretamente que os procedimentos de auto-replicação e auto-montagem possam ocorrer – “uma questão fundamental na ciência”, ele diz.
Ter um princípio fundamental da vida evolução daria a pesquisadores uma perspectiva mais ampla sobre o surgimento da estrutura e a sua função nos seres-vivos, muitos dos pesquisadores dizem. “A seleção natural não explica certas características”, diz Ard Louis, um biofísico da Universidade de Oxford, em um e-mail. Essas características incluem uma mudança hereditária para a expressão genética chamada “metilação”, o aumento da complexidade na ausência da seleção natural, e certas mudanças moleculares que ele recentemente estudou.
Se a abordagem de England continuar sendo testada, ela poderá liberar mais ainda os biólogos e fazer com que eles busquem mais a explicação darwinista para todas as adaptações e permitir com que eles pensem mais de modo geral, em termos da organização orientada pela dissipação. Eles podem achar, por exemplo, que “a razão que um organismo mostra certa característica X ao invés de Y talvez não seja porque X é mais capaz que Y, mas sim porque as restrições físicas tornaram mais fácil evoluir para X do que para Y”, Louis diz.
“As pessoas muitas vezes ficam presas pensando sobre seus problemas individuais”, Prentiss diz. Querendo ou não, as ideias de England virão a ser exatamente certas, ela diz, “pensar de forma mais ampla fará com que muitas descobertas científicas sejam feitas”.

Artigo por Natalie Wolchover, publicado no site da Simons Foundation, em 22 de Janeiro de 2014, com título A New Physics Theory of Life e no site da Scientific American, em 28 de Janeiro de 2014, com o mesmo título.
Via http://universoracionalista.org/uma-nova-teoria-para-a-origem-da-vida/

Físicos querem saber se na verdade estamos todos vivendo em um holograma

O universo inteiro é um holograma? A pergunta pode parecer maluca, mas é muito séria, e está no centro de um problema fundamental na física. E um novo experimento no Fermilab pode trazer a resposta.
O Fermilab, um campus de pesquisa financiado pelo governo americano, é mais conhecido por ter o segundo maior acelerador de partículas do mundo – era o maior, até o LHC lhe tirar o título em 2009. Desde então, o Fermilab vem realizando projetos de física menores em tamanho físico, mas não menos ambiciosos.
O experimento Holometer, de Craig Hogan, é um deles. Há anos, Hogan vem construindo dois instrumentos subterrâneos em forma de L para medir o “ruído” que pode comprovar o princípio holográfico.
holometer holograma fermilab (2)Vista de cima do Holometer
O que, exatamente, é o princípio holográfico? Trata-se de uma ideia para conciliar a teoria da gravidade (ou da relatividade geral) e a física quântica de Einstein. A relatividade geral funciona nas grandes escalas de planetas e galáxias, enquanto a física quântica reina em escalas menores que um átomo – deve haver uma teoria abrangente que unifique as duas.
O princípio holográfico diz que o espaço 3D é um holograma que surge da informação impressa em uma superfície 2D. Esta informação é armazenada como bits – assim como em computadores – mas em uma escala 10 trilhões de trilhões de vezes menor do que um átomo, conhecida como a escala de Planck.
“De acordo com Hogan, em um mundo de bits, o espaço é quântico: ele emerge dos bits discretos na escala de Planck”, explica Michael Moyer na Scientific American. “E se ele é quântico, ele deve sofrer as incertezas inerentes à mecânica quântica. Ele não fica parado, como um pano de fundo para o cosmos. Em vez disso, flutuações quânticas fazem o espaço vibrar, mudando o mundo ao seu redor.”
holometer holograma fermilab (3)Os interferômetros que compõem o Holometer
O Holometer é projetado para medir essas flutuações, ou o “jitter quântico do espaço”. Um feixe de laser é dividido entre os dois braços de dois interferômetros, os instrumentos em forma de L. Esses feixes são então comparados para revelar qualquer interferência, o que pode ser um sinal do jitter no espaço.
O experimento Holometer está apenas começando, por isso não esperamos quaisquer respostas definitivas em breve. Mas se descobrirem que na verdade somos todos hologramas, valerá a pena esperar. [Fermilab, Scientific American]
Imagens por Fermilab
Via http://gizmodo.uol.com.br/fisica-holograma/

Brilho vermelho no oceano surpreende pilotos no Pacífico

Um piloto e seu co-piloto viram um brilho laranja e vermelho misterioso sobre o Oceano Pacífico. 

As luzes estranhas foram vistas ao sul da península russa de Kamchatka, durante o vôo de um Boeing 747-8 a partir de Hong Kong até Anchorage, Alaska. 


E, embora nenhuma explicação ainda foi dada, pensa-se que pode ter se originado a partir da explosão de um grande vulcão sob a superfície do oceano. 

O piloto holandês JPC van Heijst explicou que eles avistaram um flash intenso de luz como um relâmpago, dirigido verticalmente para cima, à distância. 

Isto foi seguido por um brilho vermelho e laranja profundo 20 minutos depois. 

E a experiência deixou van Heijst um pouco perturbado, devido à falta de uma explicação para o que aconteceu. 

"Ontem à noite, sobre o Oceano Pacífico, em algum lugar do Sul da península russa de Kamchatka, eu experimentei a coisa mais apavorante até agora na minha carreira de piloto", disse ele. 


Não havia tempestades ou mau tempo, sugerindo que o relâmpago não tinha origem em uma tempestade. 

O brilho também é um mistério; luzes semelhantes foram vistas a partir de barcos de pesca, mas van Heijst diz que isso "não faria sentido nesta área". 

"Quanto mais perto chegávamos, mais intenso o brilho tornava-se, iluminando as nuvens e o céu abaixo de nós em um brilho alaranjado assustador, em uma parte do mundo onde não era para ter nada além de água", continuou ele. 


A única causa lógica deste brilho vermelho é a explosão de um vulcão enorme logo abaixo da superfície do oceano.

Mas apesar de serem poucos vulcões em sua rota, eles não tinham sido alertados para qualquer nova atividade - embora isso não necessariamente incluísse vulcões submarinos invisíveis. 

"Nós relatamos nossas observações ao Controle de Tráfego Aéreo e uma investigação sobre o que aconteceu na região remota do oceano começou agora", acrescentou. [DailyMail]

terça-feira, 12 de agosto de 2014

[Filme] Manual de Diagnóstico e Estatístico: A Farsa Mais Mortífera da Psiquiatria

[Filme] Manual de Diagnóstico e Estatístico: A Farsa Mais Mortífera da Psiquiatria
Uma farsa pseudo-científica elaborada… São 943 páginas e lista 374 “distúrbios” mentais. É a base para a lista de distúrbios mentais na Classificação Internacional de Doenças, usada em todo o mundo. Dos mesmos criadores do “Marketing de Loucura”, este documentário mostra a verdade chocante da farsa mais mortífera por detrás dapsiquiatria.
E embora pese menos de 2 quilos, a sua influência invade todos os aspectos da sociedade moderna: os nossos governos, os nossos tribunais, os nossos militares, os nossos média e as nossas escolas.
Usando-o, os psiquiatras podem obrigá-lo a tomar drogas psiquiátricas, retirar-lhe os seus filhos e tirar as suas liberdades mais preciosas.
É o Manual de Diagnóstico e Estatístico de Doenças Mentais, e é o motor que impele uma indústria psiquiátrica de 330 mil milhões de dólares.
Mas haverá alguma solução por detrás do DSM? Ou não é nada mais do que uma farsa pseudo-científica elaborada?
Os criadores dos documentários de Lucros de Matar, O Marketing de Loucura e Erro Mortal, documentaram a verdade chocante da farsa mais mortífera por detrás da psiquiatria.

via http://www.noticiasnaturais.com/2014/08/filme-manual-de-diagnostico-e-estatistico-a-farsa-mais-mortifera-da-psiquiatria/

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Novo processador da ibm imita funcionamento do cerebro humano


 

A IBM revelou nesta quinta-feira, 7, um novo microprocessador, chamado TrueNorth, que tem o objetivo de simular a forma de pensar do cérebro humano para resolver problemas, em vez de confiar na força bruta dos cálculos matemáticos para a resolução.
Ao contrário dos processadores modernos, o TrueNorth foi criado para compreender o ambiente, lidar com ambiguidades e tomar ações em tempo real compatíveis com o contexto. A proposta seria também criar um dos chips mais eficientes em consumo da energia da história, já que não seriam mais necessários tantos cálculos pesados para realizar uma ação, segundo o gerente da IBM Dharmendra Modha,
O TrueNorth conta com 5,4 bilhões de transistores, o maior número que a IBM já conseguiu colocar em um chip. Além disso, também estão inclusos 1 milhão de neurônios e 245 milhões de sinapses programáveis. Ele é modelado com base no cérebro humano, mas não chega perto dos 100 trilhões de sinapses dos humanos.
Mesmo assim, Modha diz que a quantidade é suficiente para fazer funcionar dispositivos que consigam emitir alertas de tsunamis, monitorar vazamentos de óleo, entre outras tarefas. Tudo isso consumindo o mesmo tanto de energia que um aparelho auditivo.
Em tese, o chip poderia utilizar muito menos processamento para tarefas complexas, o que pouparia energia. Um exemplo é que um robô como existe hoje depende do processamento da imagem e um grande poder computacional para entender que está andando na direção de uma pilastra e desviar antes de colidir. Já o TrueNorth permitiria sentir o pilar e desviar do perigo como um humano faria.
Uma das possibilidades de aplicação da tecnologia é ajudar pessoas cegas a andar tranquilamente por um ambiente sem problemas.
O chip tem sido destaque por possivelmente ajudar a superar a arquitetura de Von Neumann, usada em basicamente todos os computadores desde 1948, que confia no sistema matemático para processamento. Assim, a máquina seria capaz de perceber e pensar em coisas de forma autônoma de forma semelhante aos seres vivos.
A empresa ainda não tem previsão de lançamento do TrueNorth. O chip já está em sua segunda geração e está em fase de pesquisas e testes e prazos de chegada ao mercado ainda são algo distante da realidade.

Via http://olhardigital.uol.com.br/noticia/novo-processador-da-ibm-imita-funcionamento-do-cerebro-humano/43476